A vacina do sarampo só entrou no Plano Nacional de Vacinação em 1974 e na altura não preconizava as duas doses atualmente recomendadas, o que significa que quem nasceu na década de 70 pode estar sujeito a contrair a doença.

Mesmo quem tem uma dose da vacina, ou as duas, não está livre de ser infetado com sarampo, embora com uma forma mais fruste e menos grave da patologia, com menores complicações e riscos associados. O melhor será consultar o boletim de vacinas, ou o seu centro de saúde, e garantir que tem a imunização em dia. A recomendação é do médico Rui Artur Nogueira, presidente da Associação de Medicina Geral e Familiar.

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"Todas as pessoas que só tenham uma dose da vacina contra o sarampo devem fazer o reforço", diz o clínico.

Este médico de Coimbra frisa que há um grupo de população que não tendo as duas doses da vacina nem a doença não está imunizado. Esse será o caso de alguns profissionais de saúde que no atual surto de sarampo são os principais afetados.

Não é admissível optar por não vacinar. A evidência científica recomenda e demonstra que a vacinação é essencial para a saúde de todos

O reforço de todos os jovens adultos não vacinadas pode ser feito nos centros de saúde onde os utentes estão inscritos. "Não é admissível optar por não vacinar. A evidência científica recomenda e demonstra que a vacinação é essencial para a saúde de todos", comenta. "É uma responsabilidade cívica", conclui o especialista.

Sarampo eliminado em 2016 em Portugal

Em 2016, Portugal recebeu da Organização Mundial da Saúde (OMS) um diploma que oficializava o país como estando livre de sarampo, até porque os poucos casos registados nos últimos anos tinham sido contraídos noutros países. No entanto, um surto na Europa reintroduziu-o em território nacional.

O vírus é transmitido por contacto direto com as gotículas infecciosas ou por propagação no ar quando a pessoa infetada tosse ou espirra. Os doentes são considerados contagiosos desde quatro dias antes até quatro dias depois do aparecimento da erupção cutânea que caracteriza o sarampo.

Os sintomas de sarampo aparecem geralmente entre 10 a 12 dias depois da pessoa ser infetada e começam habitualmente com febre, erupção cutânea, tosse, conjuntivite e corrimento nasal.

Recomendações da DGS

A DGS recomenda que as pessoas verifiquem os boletins de vacinas e que, caso seja necessário, se vacinem contra o sarampo, recordando tratar-se de “uma das doenças infecciosas mais contagiosas podendo provocar doença grave, principalmente em pessoas não vacinadas”. É aconselhado a “quem esteve em contacto com um caso suspeito de sarampo e tem dúvidas” que ligue para a Linha Saúde 24 (número 808 24 24 24).

Deve também ligar para aquela linha quem tiver “sintomas sugestivos de sarampo (febre, erupção cutânea, conjuntivite, congestão nasal, tosse)”. Com esses sintomas, a DGS recomenda que “não se desloque e evite o contacto com outros”.

Entre 2006 e 2014, Portugal tinha registado apenas 19 casos de sarampo, quase todos importados.

Portugal teve dois surtos simultâneos em 2017, que infetaram quase 30 pessoas e levaram à morte de uma jovem de 17 anos.

O sarampo é uma doença grave, para a qual existe vacina, contudo, o Centro Europeu de Controlo de Doenças estima que haja uma elevada incidência de casos em crianças menores de um ano de idade, que ainda são muito novas para receber a primeira dose da vacina. Daí que reforce a importância de todos os outros grupos estarem vacinados de forma a que não apanhem nem transmitam a doença.

Segundo os dados de 2017, mais de 87% das pessoas que contraíram sarampo não estavam vacinadas.

Artigo originalmente publicado a 23 de março de 2018.

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