Para além de todos os sintomas físicos que envolve, a psoríase, uma doença crónica da pele, não contagiosa, que pode surgir em qualquer idade, também tem um forte impacto a nível familiar, social, profissional, emocional e psicológico dos doentes, razão pela qual se torna importante conhecê-la para lutar contra o preconceito a ela associado. Caracteriza-se, geralmente, pelo aparecimento de lesões vermelhas, espessas e descamativas.

As marcas inestéticas que causa afetam, sobretudo, os cotovelos, os joelhos, a região lombar e o couro cabeludo. No entanto, tanto o aspeto, como a extensão, a evolução e a gravidade das lesões variam bastante de doente para doente, sendo que, nos casos mais graves, podem cobrir extensas áreas do corpo. A psoríase também pode aparecer à volta e debaixo das unhas, que aumentam de espessura e se deformam.

Tipos de psoríase

Existem diversos tipos de psoríase, classificados de acordo com o seu aspecto clínico. Os mais importantes são:

- Psoríase em placas

Também conhecido como psoríase vulgar, é o tipo mais comum e apresenta lesões com relevo, vermelhas e cobertas por uma escama prateada. As lesões surgem nos cotovelos, joelhos, região lombar e couro cabeludo, embora possam afectar qualquer área do corpo.

- Psoríase gutata

É menos frequente que a psoríase em placas e afecta sobretudo crianças e jovens. Normalmente, aparece de forma súbita, e apresenta lesões de dimensões diminutas (em forma de gota) que ocupam áreas extensas do tronco e membros. Pode desaparecer definitivamente depois do primeiro episódio ou evoluir para psoríase vulgar.

- Psoríase inversa

Assim designada por causa da localização inversa das lesões, este tipo de psoríase manifesta-se nas axilas, virilhas e região infra-mamária. Ao contrário dos outros tipos, as lesões não têm escama evidente, o que pode dificultar o diagnóstico.

- Psoríase eritrodérmica

Neste tipo de psoríase, a pele de toda a superfície corporal adquire um aspecto vermelho e inflamado. Tem um elevado risco de complicações, o que a torna muito grave.

Veja na página seguinte: Os diferentes tipos de psoríase com pústulas

Psoríase com pústulas

Algumas formas de psoríase caracterizam-se pelo aparecimento de pequenas bolhas com pus (pústulas):

- Pustulose palmo-plantar

É a mais comum e as suas lesões surgem nas palmas das mãos e nas plantas dos pés sobre um fundo avermelhado, por vezes com descamação abundante e fissuras dolorosas. Esta forma de psoríase é de difícil tratamento e pode ter uma evolução crónica com surtos de agravamento.

- Psoríase pustulosa de von Zumbusch

Forma rara e grave que surge subitamente ou como consequência do agravamento de uma psoríase em placas. Ao contrário das restantes formas de psoríase, é acompanhada de sintomas gerais (febre e mau estar, por exemplo, entre outras manifestações) e tem um risco elevado de complicações, algumas delas potencialmente fatais.

Quais as causas da psoríase?

A origem da psoríase não é totalmente conhecida. Contudo, sabe-se que é influenciada por factores genéticos e que envolve alterações no funcionamento do sistema imunitário, que provocam inflamação e aumento da velocidade de renovação das células da epiderme.

Apesar de ser geneticamente determinada não quer dizer que a hereditariedade de pais para filhos seja obrigatória. No entanto, a probabilidade da doença surgir é maior em pessoas com familiares portadores da mesma.

Como se diagnostica?

Inicialmente, pode ser difícil para o especialista diagnosticar psoríase, uma vez que pode ser confundida com outras doenças cutâneas que também se manifestem através de lesões avermelhadas e descamativas e que possam afectar as zonas típicas da psoríase.

O diagnóstico, deve, por isso, ser feito por um dermatologista que, à medida que a doença avança, consegue reconhecer o seu padrão de escamação característico. Para confirmar o diagnóstico, o especialista pode recorrer a uma biópsia de pele.

Qual o tratamento?

Apesar de não existir uma cura definitiva para a psoríase, existe um conjunto de tratamentos que, utilizados isoladamente ou em associação, aliviam e controlam os seus sintomas. Como a doença varia bastante entre doentes, as terapêuticas devem ser escolhidas e utilizadas criteriosamente, após observação do especialista, que deverá indicar o melhor tratamento para a fase de evolução apresentada pelo paciente.

As terapêuticas tópicas

A aplicação de loções, cremes ou pomadas é uma das formas de aliviar as lesões causadas pela doença. Estes são alguns dos componentes que integram a formulação desses produtos:

- Emolientes e queratolíticos

- Corticosteroides tópicos

- Análogos da vitamina D

Veja na página seguinte: O poder do sol, das sementes e das borras de café

Outras formas de aliviar as marcas da doença

O sol é um auxiliar precioso no combate à patologia. A exposição à radiação ultravioleta (helioterapia) induz uma melhoria na maioria dos casos. No entanto, esta deverá ser feita com moderação, uma vez que as queimaduras solares agravam a psoríase. Um risco que os doentes devem evitar a todo o custo. A fototerapia é outra das soluções. A exposição da pele a fontes artificiais de luz ultravioleta em sessões regulares, com doses adequadas a cada doente.

Muitos especialistas recomendam ainda medicamentos sistémicos, que podem ser administrados por via oral ou através de injetáveis. São usados nos casos mais graves ou resistentes ao tratamento e devem ser atentamente acompanhados pelo especialista, à semelhança dos retinoides, que normalizam a proliferação e diferenciação das células da epiderme.

A lista de soluções terapêuticas inclui ainda metotrexato e ciclosporina, que interferem com mecanismos inflamatórios e imunitários na base da doença. A esses, juntam-se, ainda, agentes biológicos, que atuam selectivamente sobre determinados componentes do sistema imunitário. Estes representam a área em que se verificaram os maiores progressos nos últimos anos.

Sementes de linhaça, peixes e borras de café

A ingestão regular de sementes de linhaça e de chá de linho, uma bebida que reduz a acne e combate a psoríase, também são aconselhadas por muitos especialistas, tal como os tratamentos com peixes garra-rufa, que limpam a área afetada, favorecendo a regeneração da epiderme. Mais recentemente, foram comprovados os benefícios das borras de café, já disponíveis em em várias farmácias espanholas.

Feliu Pont, de 88 anos, dono da cadeia de restauração Cafes Pont, com sede em Barcelona, foi diagnosticado com psoríase em 2005. Pouco depois, resolveu recorrer a uma experiência insólita que fazia na infância. «Mergulhava moscas num copo de água e, em seguida, jogava borras de café sobre as suas asas e elas voltavam a voar em segundos», contou ao jornal espanhol ABC. Na altura, ocorreu-lhe experimentar na pele.

«Numa das manchas, coloquei a pomada que o médico receitou e na outra, as borras. A primeira não desapareceu mas a segunda sim. Apliquei depois as borras de café nas manchas todos os dias e, num mês e meio, desapareceram. Até agora!», regozija-se. Com a ajuda de especialistas da Universidade Politécnica da Catalunha, criou o CeniPont, um produto de cosmética à base de potássio, cálcio, magnésio, enxofre e fósforo.

Texto: Madalena Alçada Baptista e Luis Batista Gonçalves (edição digital) com revisão científica da Associação Portuguesa da Psoríase – PSOPortugal

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