Os tumores cutâneos, que são acúmulos anormais de diferentes tipos de células, podem estar presentes desde o nascimento, ou podem desenvolver-se mais tarde. Assim, quando o crescimento é controlado e as células não se disseminam para outras partes do corpo, os tumores cutâneos não são cancerosos, designando-se por benignos.

Porém, quando o crescimento é descontrolado e as células invadem o tecido normal e chegam mesmo a disseminar-se a outras partes do corpo (metástases), os tumores podem causar a morte. Neste caso, são cancerosos e designam-se por malignos.

Tenha presente o que significam e o que implicam alguns termos relacionados com este assunto. Saiba quais os sinais a que deve estar atenta, o que deve fazer, e alguns conselhos quotidianos a ter com o sol.

O que são realmente os "sinais"?
Os vulgarmente chamados "sinais" da pele têm por designação correta Nevus. E mais não são do que pequenos tumores cutâneos benignos, por oposição ao que chamamos de malignos.

As palavras cancro, neoplasia e tumor maligno são utilizadas correntemente no mesmo sentido e referem-se a uma doença caracterizada por multiplicação celular anormal, autónoma, contínua e incontrolada, com invasão de estruturas vizinhas e, eventualmente, à distância (metástases).

Distinguem-se assim as neoplasias malignas das que são benignas, dado que estas últimas têm uma capacidade invasiva local limitada e sem potencialidade de metastização. Assim, temos os nossos nevus, geralmente escuros, que se formam a partir de células produtoras de pigmento da pele (os melanócitos).

Os nevus apresentam tamanhos variados, podem ser planos ou elevados, lisos ou rugosos (semelhantes a verrugas), e alguns apresentam pelos. Embora habitualmente sejam de cor castanho-escuro ou preto, os nevus podem também ter outras colorações. Muitos dos nevus estão presentes à nascença ou surgem na primeira infância. São os chamados nevus congénitos.

Muitos outros surgem, com frequência, na infância ou na adolescência. A estes chamam-se nevus adquiridos. Como todas as células, as células produtoras de pigmento respondem às alterações dos níveis hormonais. Consequentemente, muitos nevus podem surgir, crescer ou escurecer durante a adolescência e durante a gravidez.

Dependendo do seu aspeto e da sua localização, os nevus podem ser considerados defeitos ou marcas de beleza. Os nevus pouco atrativos ou localizados em áreas onde o vestuário pode irritá-los, devido a fricção, podem ser extirpados pelo médico.

Retenha a ideia que a maioria dos nevus são inofensivos e não necessitam de ser removidos. Contudo, alguns nevus parecem-se muito com o melanoma maligno (um cancro de pele). Além disso, os nevus não cancerosos podem realmente evoluir para o melanoma maligno.

Por estas razões, um nevu suspeito deve ser examinado cuidadosamente por um especialista. Existem muitas variações quanto aos elementos que caracterizam e compõem os nevus.

Esteja atenta às seguintes características de um nevo:
- Aparecimento depois dos 30 anos;
- Nevus congénitos com mais de 2 cm diâmetro;
- Nevus adquiridos com mais de 6 mm diâmetro,
- Quando um nevo é diferente do padrão de nevus da pessoa.

Esteja atenta às alterações de um nevo:
- Aumento (especialmente com uma borda irregular), assimetria, escurecimento, inflamação, alterações da cor em monteado, sangramento, rutura da pele (úlcera), prurido e dor.
- O aparecimento e crescimento dos nevus depende do sol. Desta forma, os nevus que surjam em zonas pouco expostas ao sol (palma das mãos, planta dos pés, região genital) devem ser vigiados de perto.

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Outras lesões benignas da pele...
As manchas vinho do Porto (nevi flammeus) são manchas planas de coloração rosa, vermelha ou violácea presentes desde o nascimento. Geralmente, as manchas de vinho do Porto são permanentes, mas as pequenas manchas localizadas na face podem desaparecer após alguns meses.

A maioria delas é fisicamente inofensiva, mas pode ter consequências psicológicas desagradáveis. Logo, saiba que pode ajudar o cliente camuflando estas manchas com cosméticos e maquilhagem adequada e ensinando-lhe tais procedimentos.

As queratoses seborréicas (também conhecidas como verrugas seborréicas) são tumores cor da pele, castanhos ou pretos, que podem ocorrer em qualquer local na pele. Mais frequentemente, estas queratoses ocorrem no tronco e nas têmporas.

Elas variam de tamanho, podendo ser redondas ou ovais. Parecem estar aderidas à pele e, frequentemente, possuem superfícies descamativas. A sua causa não é conhecida, mas sabe-se que o seu crescimento é lento. Estes tumores são benignos e não evoluem para o cancro.

O tratamento não é necessário, exceto quando produzem prurido devido a fricção, ou quando forem indesejáveis do ponto de vista estético. Nestes casos, podem ser removidas com bisturi ou através da criocirurgia, coretagem, eletrocoagulação.

Os procedimentos deixam pouca ou nenhuma cicatriz. Os pólipos cutâneos ou fibromas são pequenos pedúnculos cutâneos macios e da cor da pele ou, discretamente, mais escuros, que ocorrem principalmente no pescoço, nas axilas ou na virilha.

Geralmente, os pólipos cutâneos não causam problemas, mas podem ser pouco atraentes e a roupa ou a pele próxima pode causar atrito e irritálos. Saiba que, tal como nos casos anteriores, o médico pode remover facilmente esta lesão.

Os queloides são formações proliferativas de tecido fibroso que se formam sobre áreas de lesão ou sobre feridas cirúrgicas. Eles são lisos, brilhantes, discretamente rosados. Por vezes, os queloides dão prurido e sensação dolorosa no local.

Contudo, apesar de existirem alguns tratamentos possíveis para estas lesões, os resultados são pouco animadores. Relativamente a esta lesão, o mais importante é ter noção de que quem tem tendência a formar queloides ou cicatrizes hipertróficas deve evitar procedimentos cosméticos invasivos ou a colocação de adornos que requerem perfuração cutânea.

Distinguir a presença do melanoma
O melanoma é o cancro de pele mais perigoso e dos mais agressivos da espécie humana. Ao contrário de outras formas de cancro de pele, o melanoma dissemina-se, produzindo metástases, rapidamente para partes distantes do corpo, onde continua a crescer e a destruir tecidos.

Quanto menos o melanoma crescer na pele, maior é a possibilidade de cura. E apesar de a evolução desta doença variar muito, quando o melanoma invade profundamente a pele, é mais provável que ele se dissemine através dos vasos sanguíneos e linfáticos, causando a morte do indivíduo em questão de meses ou poucos anos.

É, portanto, necessário atuar rápido! A deteção precoce do cancro de pele representa a única via para a sua cura! (Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia) Sabe-se que, o melanoma tem origem a partir dos melanócitos e o seu aparecimento está relacionado com elevadas exposições solares intermitentes, sobretudo na primeira infância e com queimaduras solares.

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Podendo surgir em pele aparentemente sã ou sobre nevus vulgares. Entre os principais fatores de risco que aumentam a probabilidade de se poder vir a sofrer de melanoma podem contar-se: pele clara e sardenta, cabelo ruivo ou loiro, olhos azuis ou esverdeados; queimadura solar fácil, bronzeado difícil; antecedentes de queimadura solar e exposição irregular e intermitente ao sol; muitos nevus espalhados pelo corpo; antecedentes de melanoma em familiares ou no próprio.

Existem sinais de alarme de transformação maligna dos nevus vulgares. Conheça-os e vigie a sua pele em intervalos de tempo regulares, consultando o médico em caso de dúvida. O reconhecimento do melanoma na sua fase inicial baseia-se na aplicação metódica dos critérios ABCDE:

A - Assimetria da lesão
B - Bordo irregular da lesão
C - Cor variada, com tonalidades diversas
D - Diâmetro superior a 6 mm
E - Evolução rápida

Outros fatores podem ser significativos como a inflamação, a hemorragia ou o ardor e prurido. Mas apesar de prática corrente, a aplicação destes critérios não é sempre fácil. A dificuldade de diagnóstico vê-se aumentada quando nos encontramos perante lesões de pequenas dimensões ou quando o paciente é portador de lesões múltiplas. Perante qualquer dúvida ou suspeita, a observação dermatológica é sempre a melhor opção.

O papel nocivo do sol
A luz do sol é um pré-requisito para a vida, mas ela pode ser também extremamente prejudicial para a saúde humana! Sabe-se que a exposição excessiva ao sol está associada ao aumento dos riscos de diversos tipos de cancro da pele, cataratas e outras patologias dos olhos.

Está ainda intimamente relacionada com o acelerar do envelhecimento cutâneo. O excesso de exposição pode ainda afetar adversamente as capacidades imunitárias e comprometer a eficácia dos programas de vacinação, segundo dados da Organização Mundial de Saúde.

Como atua o sol?
Os comprimentos de onda da luz ultravioleta (UV) são os responsáveis pela luz visível que nos permite ver. A radiação infravermelha é a nossa principal fonte de calor. No entanto, a excessiva exposição a estas ondas comporta riscos específicos para a nossa saúde, nomeadamente, a exposição excessiva ao sol é considerada a causa mais frequente de cancro da pele (cerca de 90% dos casos).

Apesar de contarmos com a ajuda da camada de ozono situada na parte superior da atmosfera terrestre, uma parte da luz UV, principalmente a incluída nas faixas de comprimento de onda A (UVA) e B (UVB), chega até nós. As características e a quantidade de luz UV variam de acordo com a estação, o clima e a localização geográfica.

Devido à forma com que os raios solares atravessam a atmosfera nas diferentes horas do dia nas zonas temperadas, a exposição da pele ao sol é menos prejudicial antes das dez da manhã e após as três da tarde. O risco de lesão é também maior nas altitudes elevadas, onde a atmosfera protetora é mais fina.

A nossa pele protege o resto do corpo contra a ação dos raios solares. Contudo, a pele é um meio não homogéneo e muito complexo no aspeto ótico. É constituída por compostos com diferente capacidade de absorção da radiação e situados em níveis diversos, tendo índices de refração que variam de local para local.

A capacidade de transmitir a radiação depende não só da região do corpo, mas também de condições particulares do momento como o estado de hidratação ou o grau de pigmentação. Por todos estes motivos, é impossível prever com rigor o comportamento da pele quando sobre ela incide um feixe de radiação solar.

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Porém, a exposição excessiva, ainda que de curta duração, produz queimaduras solares e predispõe ao melanoma! Com a exposição prolongada à luz solar a camada superior da pele (a epiderme) torna-se mais espessa e os melanócitos aumentam a produção de melanina, a qual dá à pele a sua cor e o tão desejado "bronzeado".

Mas esta exposição prolongada pode também trazer consequências não desejadas, nomeadamente envelhecimento cutâneo precoce e diversas formações malignas ou pré-malignas como a queratose actínica, o carcinoma espino-celular ou o basalioma.

Pessoas de pele clara são mais vulneráveis?
A melanina atua como uma substância protetora natural, absorvendo a energia dos raios UV e impedindo que eles penetrem mais profundamente nos tecidos. Assim, explica-se que a sensibilidade à luz solar varie de acordo com a raça, a exposição prévia e a cor da pele. Mas retenha a ideia de que todos nós somos vulneráveis num certo grau aos malefícios do sol.

Como é óbvio, a melhor maneira de evitar o dano causado pelo sol é permanecer longe da luz solar direta e intensa. As vestimentas adequadas e os vidros comuns das janelas filtram praticamente todos os raios nocivos. Contudo, a água não é um bom filtro de raios UV. Os raios UVA e UVB podem atravessar aproximadamente 30 cm de água transparente!

Sabia que as nuvens ou a neblina não são bons filtros de raios UV? E que a neve, a água e a areia refletem a luz solar e amplificam a exposição da pele aos raios UV? A fotoprotecção constitui o principal meio profilático na luta contra a cancerização da pele. A fotoprotecção corresponde à atitude determinada de evitar a exposição à luz solar e não, meramente, ao uso de filtros solares.

Muitos filtros solares contém PABA e benzofenona ou outras substâncias químicas. Estas combinações fornecem uma proteção contra uma gama mais ampla de raios UV. Outros filtros solares contêm barreiras físicas (p.ex., óxido de zinco ou dióxido de titânio). Estas pomadas brancas e espessas protegem a pele contra a luz solar e podem ser utilizadas em pequenas áreas sensíveis.

Prevenir sempre
Lembre-se que não existe um filtro solar que bloqueie todos os raios UV! Anos de exposição aos raios solares envelhecem a pele, mas a exposição antes dos 18 anos de idade é provavelmente a mais prejudicial.

Embora os indivíduos com pele clara sejam os mais vulneráveis, com uma exposição suficientemente prolongada e continuada a pele de qualquer um de nós sofre alterações. Os indivíduos que se expõem ao sol exageradamente apresentam um maior risco de apresentar cancro de pele.

E se os cremes humectantes e a maquilhagem ajudam a mascarar as rugas e o envelhecimento cutâneo precoce causado pelo sol, lembre-se que as lesões causadas pelo mesmo podem evoluir para cancro de pele, e esse é um risco que não deve querer correr.

Tratamento cirúrgico
Existem avançadas técnicas digitais de análise das lesões cutâneas. Estas técnicas permitem observar a lesão pigmentar cutânea e arquivá-la para futuras comparações, medindo automaticamente os seus contornos geométricos, coloração e textura.

O tratamento é quase sempre cirúrgico e, quando efetuado nas fases iniciais, em que o tumor ainda é muito fino, acompanha-se de elevadas taxas de cura. Todavia, quando o tumor já é muito espesso as probabilidades de cura ficam drasticamente reduzidas, existindo o risco eminente de metastização à distância.

Estádio Extensão/Sobrevivência
I Cancro primário apenas 70%
II Recorrência local a menos de 3cm 30%
III Invasão de gânglios linfáticos <20%
IV Metástases viscerais a distância <10%

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Dia do Euromelanoma 2012
A Associação Portuguesa de Cancro Cutâneo (APCC) apresentou no dia 2 de Maio, em Lisboa, a iniciativa Euromelanoma 2012, que se assinala este ano, em Portugal, a 9 de Maio.

A campanha Euromelanoma é uma iniciativa europeia para a prevenção do cancro cutâneo que tem como objetivo dar informação a todos sobre prevenção da doença, diagnóstico precoce e tratamento.

Iniciou-se na Bélgica em 1999, envolveu vários países incluindo Portugal desde 2000 e, em 2012, vai decorrer em mais de 30 países dispersos por toda a Europa.

Em Portugal, o Euromelanoma é organizado pela APCC, e participa também a Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia (SPDV), com o apoio da Direção-Geral da Saúde.

No dia 9 de maio irão ser disponibilizados rastreios gratuitos ao cancro de pele, particularmente àqueles que se incluam nos grupos com maior fator de risco. Serão cerca de 30 os Serviços de Dermatologia que disponibilizarão o rastreio em todo o país.

Estima-se que em Portugal, em 2012, venham a surgir ainda mais de 10.000 novos casos de cancros da pele, a maioria serão carcinomas basocelular e espinocelular, mas estima-se também que surgirão cerca de 1.000 novos casos de melanoma.

O diagnóstico e o tratamento precoce dos cancros da pele, sobretudo do melanoma, são fundamentais para diminuir a morbilidade e mortalidade por cancro da pele.

Cabe à sociedade civil, no seu todo, contrariar esta realidade, numa luta que se desenrola em várias frentes: prevenção primária e secundária, conhecimento alargado da sintomatologia e sinais de alarme e estratégias de combate à doença.

Ações 2012
No âmbito da Prevenção Primária e Secundária de Cancro da Pele aqui seguem algumas ações, a desenvolver pela APCC:

- Congresso de Fotoeducação: Sol e Pele: saber conviver: 4 e 5 de maio em Lisboa e 18 e 19 de maio no Porto. Este ano é o 10º ano consecutivo destas reuniões que estimam envolver mais de 1.600 profissionais de educação e saúde. Este encontro contará com a presença, em Lisboa, da Prof. Véronique del Marmol, Presidente Europeia do Euromelanoma, e no Porto da Prof Jana Hercogova, Presidente da Academia Europeia de Dermatologia e Venereologia.
- Caminhada pelo Chapéu, a 2 de junho, em S. João da Madeira.
- Caminhada à Beira-mar a 14 de julho, em Vilamoura, dando início às ações de sensibilização nas praias e múltiplas autarquias portuguesas.
- Apresentação de novos sites de informação.

Como prevenir o cancro da pele
Para minimizar o risco de desenvolvimento de cancro da pele, aproveite o sol com sensatez. Aqui seguem alguns conselhos a ter em conta:

- No que diz respeito às crianças, maximize as medidas de prevenção (utilização regular de um protetor solar com um fator de proteção elevado (50+), t-shirt e chapéu).
- Procure a sombra e não se exponha ao sol nas horas de maior calor (entre as 11h e as 17h).
- Proteja a sua pele e os seus olhos (use e abuse do chapéu, t-shirt, óculos de sol).
- Habitue gradualmente a sua pele ao sol. Evite as queimaduras solares!
- Aplique protetor solar com um fator de proteção elevado a cada 2 horas.
- Evite os solários.
- Se, após a exposição solar, a sua pele ficar vermelha, significa que ficou efetivamente com uma queimadura solar.
- Quando há presença de bolhas ou dor durante pelo menos dois dias, a queimadura solar é considerada grave.

Para mais informações sobre os diferentes tipos de sinais ou manchas cutâneas, o que significam e como podem ser tratados, pode ainda consultar os sites: www.apcancrocutaneo.pt ou www.euromelanoma.org/portugal

Texto: Ana Pinto, esteticista/cosmetologista, finalista de Psicologia e aluna da Pós-Graduação em Gestão de Spas
Fontes:www.cancerresearch.org; www.saudenainternet.pt
Agradecimentos: Associação Portuguesa de Cancro Cutâneo; Direção-Geral da Saúde; Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia; Saninter

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