O canal auditivo do ser humano tem uma forma aproximada de um tubo cilindro ligeiramente fletido, que se termina na membrana do tímpano. A forma de tubuladura é constituída na sua porção mais externa por cartilagem e a mais interior por osso, ambos revestidos internamente por pele.

Por razões não totalmente explicadas, em algumas pessoas, a porção óssea do canal auditivo sofre um crescimento excessivo, formando-se umas protuberâncias ósseas (exostoses) que tornam o canal irregular, diminuindo o seu calibre.

Este crescimento excessivo é bastante frequente em surfistas, acreditando-se que é o contacto repetido de água fria no interior do canal auditivo que leva ao seu aparecimento e ao seu lento crescimento. Há casos em que ocorrem em vários indivíduos da mesma família sem que tenha havido contacto repetido com água do mar.

Fernando Vilhena Mendonça, Médico Otorrinolaringologista
Ilustração das exostoses Fernando Vilhena Mendonça, Médico Otorrinolaringologista

Os sintomas

Na maior parte dos casos, as exostoses não dão sintomas até que atingem uma dimensão significativa.

Podem ser um achado numa consulta de rotina quando o médico procede à observação do ouvido.

Quando já têm uma dimensão maior podem provocar a retenção de água, oclusão por cerúmen e infeções da pele do canal auditivo (otite externa), com episódios repetidos de dor intensa ao toque, saída de pus líquido pelo canal e inchaço.

Só numa fase muito adiantada do seu crescimento, ou nos períodos de entupimento por água, cerúmen ou infeção é que a pessoa experimenta perda de audição.

O tratamento e a prevenção

Nos episódios de entupimento, a consulta de um otorrinolaringologista com aspiração e tratamento local com gotas de antibiótico e corticoide melhora substancialmente os sintomas.

A prevenção consiste na utilização de tampões de proteção sempre que o surfista vai para o mar, sendo que, após o diagnóstico, a sua utilização pode atrasar o seu crescimento.

Fernando Vilhena Mendonça, Médico Otorrinolaringologista
Estrutura do aparelho auditivo créditos: Fernando Vilhena Mendonça, Médico Otorrinolaringologista

O tratamento das formas mais avançadas é cirúrgico e consiste na remoção destas saliências ósseas, poupando a pele que irá revestir o canal já devidamente calibrado.

Em casos extremos pode haver novo crescimento ósseo, sobretudo se houver contacto continuado com água do mar, sem utilização de tampões.

As explicações são da médica Luísa Monteiro, especialista em Otorrinolaringologia, e as ilustrações são do médico Fernando Vilhena Mendonça, também especialista em Otorrinolaringologia.

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