Apesar de ter passado já muito tempo desta definição, e das críticas construtivas à mesma, como o seu caráter utópico, e inalcançável, além da subjetividade em relação às diferentes personalidades, e dependente do meio cultural onde se insere o indivíduo, pode dizer-se, que, ao seu tempo, já revelava modernidade, e tinha em conta com o modelo holístico, de que se fala tanto hoje em dia.

Já o meu amigo Prof. Fernando Pádua nos ensinou o AEIOU’S da saúde: Alimentação, Exercício físico e mental, Inibir o tabaco, Olvidar o sal, Uma consulta/ano, e gerir o Stress.

De facto, em Medicina, teremos várias formas de aferir a boa e “normal” saúde de uma pessoa, através duma história clínica bem realizada, exame objetivo, auxiliados por cada vez mais e melhores meios complementares de diagnóstico. Mas quando falamos em saúde, falaremos sempre num resultado que será maior do que a soma das partes. Já não fará sentido separar o físico, a psique e o meio ambiente e social.

Conceitos neurológicos associados ao bem-estar mental, baseiam-se em conceitos subjetivos como a Reserva Cognitiva, Inteligência Emocional, entre outros, em que se tenta perceber a relação entre a “ginástica mental” e a demência (Alzheimer e outras).

As teorias modernas de saúde, cada vez mais dão importância a conceitos de felicidade e partilha de experiências, em que a sociabilização, laços familiares e de amizade, bem como de pertença e a aculturação contínua, são as chaves para uma saúde global.

O envelhecimento ativo será parte deste processo do que é “ter saúde” em tempos de aumento substancial de esperança média de vida (e de qualidade de vida, esperemos todos) e a manutenção de uma perspetiva de futuro. Ser velho é precisamente, para mim, a perda desta capacidade.

Sabíamos já, que o homem é um animal social, em que o conceito de felicidade só será real e completo, quando partilhado. Ora, para se ter saúde, será mais ou menos parecido. Não poderemos só esperar não ter doença. Deveremos fazer a nossa parte na busca dessa sáude, que não passará somente pela medicina preventiva, mas numa busca de equilíbrios vários pessoais e de grupo.  Numa sociedade cada vez mais ansiosa, depressiva, internética, desumana, por vezes, veloz e global, cheia de contradições, ressurge a necessidade urgente de voltar às bases da civilização: humanização, partilha, laços, tolerância e altruísmo. E isto também será ter mais saúde.

A modernização da tecnologia e a robotização ao serviço da Medicina, poderá ser uma das soluções para termos mais e melhor tempo uns para os outros.

Poderei dizer então que a Saúde é um estado de procura e razoável harmonia entre a pessoa e a sua própria realidade.

Um artigo do médico João Ramos, especialista em Medicina Geral e Familiar no Hospital Lusíadas Lisboa.

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