Lembra-se do tempo em que para
receber notícias das pessoas que estavam
longe de si tinha que esperar por uma
carta ou para saber o que tinha acabado
de acontecer tinha de aguardar pelo noticiário ou pelo jornal do dia
seguinte?

Hoje em dia, esse décalage de
tempo já não existe e a informação chega-nos a toda a hora devido à Internet e aos
telemóveis.

Por mais vantajoso que este
facto possa ser, traz também algumas
desvantagens e pode mesmo prejudicar
a sua saúde, daí a necessidade de aprender a defender-se. Foi em 1996, que Alfons Cornella, físico
e fundador de uma consultora de nova
tendências, criou o neologismo infoxicación
(infoxicação, em tradução literal
para o português) para descrever uma
situação
de intoxicação informacional.

A infoxicação, como o próprio se lhe refere,
é «estar sempre on, receber centenas
de
informações por dia, às quais não pode
dedicar o tempo que desejaria. É não
poder aprofundar nada, é saltar de uma
coisa para a outra. É o working interruptus,
que é o resultado de um mundo que dá
primazia à exaustividade
(tudo sobre) em
vez da relevância (o mais importante)». Este fenómeno é provocado por todos os
meios aos quais temos acesso e qualquer
pessoa pode ser fonte desta overdose de informação. «Inundamos os nossos
amigos de twitts e de comentários no
Facebook», exemplifica Alfons Cornella.

Sentir ansiedade

Para o físico espanhol, «vivemos num
paradoxo, dispomos de ferramentas
muito fáceis para projetar informação,
mas não temos ferramentas para detectar
o que é relevante entre tudo aquilo que recebemos». O facto de estarmos
constantemente a ser bombardeados por
emails, vídeos, telefonemas e mensagens escritas causa ansiedade, stress e até
dificuldades de concentração. Sintomas
estes que foram batizados
pelo psicólogo
britânico
David Lewis de síndrome
de
fadiga de informação.

Para perceber este
fenómeno basta pensar, como diz Alfons
Cornella, «no stress que sentimos por
termos de estar sempre atentos e não
termos tempo de processar tudo». Esta
situação faz com que a sua atenção se
disperse e se torne um recurso escasso
quando comparado com o excesso
de informação. O nosso entrevistado
acredita que «a ansiedade em que vivemos
levar-nos-á, a curto prazo, a valorizar os
momentos em que estamos desligados».

Diminuição da produtividade

Há quem defenda também a ideia de que
este excesso de informação baixa a produtividade
e aumenta a superficialidade,
mas de acordo com o consultor, ainda
não há estudos suficientes a esse respeito. «No entanto, algumas pesquisas demonstram
que estar always on leva uma desconcentração
semelhante à que se sente
quando se fuma um cigarro de marijuana
e isso leva uma diminuição da produtividade», afirma Alfons Cornella.

Quanto
ao facto de poder provocar o isolamento
físico das pessoas, o especialista é um
pouco mais crítico. «Depende como usamos
os meios, algumas pessoas atingem,
nas redes sociais, a ligação com outras
pessoas que não conseguem na vida real.
Como em tudo depende do uso que se faz
e os excessos são prejudiciais», refere.

Gerir a informação

Para reduzir o ruído informacional deve:

- Dedicar algum tempo a detectar as
melhores fontes de informação para si
e para o seu trabalho

- Discriminar as fontes pela qualidade
e não pela quantidade
- Processar a informação recebida

Texto: Rita Caetano com Alfons Cornella (físico)

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