A hipertensão arterial (HTA) pode definir-se como uma pressão sanguínea igual ou superior a 140mmHg (pressão máxima ou sistólica) e/ou igual ou superior a 90mmHg (pressão mínima ou diastólica). Estes valores foram definidos tendo em conta as vantagens do tratamento farmacológico na redução de eventos vasculares (lesões nos órgãos-alvo cérebro, coração, rim e retina) e mortalidade.

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A HTA afeta mais de 1.000 milhões de pessoas em todo o mundo e quase 4 milhões de portugueses. A perspetiva é de que continue a crescer em todo o mundo e que, daqui a 20 anos, possa aumentar em 50%, passando para 1500 milhões de hipertensos.

Um dos problemas mais graves de saúde pública

Trata-se de um dos problemas mais graves de saúde pública, já que predispõe ao acidente vascular cerebral, enfarte do miocárdio, insuficiência renal e insuficiência cardíaca, entre outros. Tratar a HTA é também tratar estes problemas e reduzir a elevada mortalidade associada às doenças vasculares (cardíacas e cerebrais) que ainda são as principais causas de morte em Portugal e na Europa.

A forma mais comum de HTA (essencial ou primária) resulta da interação entre os genes e fatores ambientais e representa 95% dos casos. Daí a importância de um estilo de vida saudável para prevenir mais eficazmente a HTA, com ênfase especial para a dieta e o exercício físico.

Uma redução de apenas 3 gramas de sal na dieta diária de um hipertenso pode reduzir a ocorrência de eventos vasculares potencialmente fatais em 10%. A prática regular de exercício físico de intensidade moderada pode levar a um decréscimo da pressão arterial de 20mmHg (pressão máxima) e de 10mmHg (pressão mínima), podendo ter um impacto na redução da mortalidade de 20%, um melhor controlo do nível de açúcar no sangue, do colesterol, da gordura visceral e do peso do doente. Estas medidas ajudam ainda a tornar mais eficaz a medicação, quando necessária, evitando uma escalada de fármacos que podem levar a mais efeitos secundários.

O tratamento

Relativamente ao tratamento farmacológico, há várias classes terapêuticas que isoladamente podem controlar cerca de 30% dos hipertensos (geralmente doentes de risco ligeiro ou moderado e com valores tensionais menos elevados). As associações de vários medicamentos podem tratar cerca de 90% dos doentes, com uma boa tolerabilidade e margem de segurança a longo prazo. Os restantes doentes necessitam de um outro tipo de abordagem, com a identificação de possíveis causas secundárias de hipertensão que devem ser tratadas em primeiro lugar, sendo muitas vezes candidatos a um seguimento hospitalar.

Em alguns casos, mesmo depois de descartar causas secundárias e de uma correção agressiva do estilo de vida, o médico assistente não consegue controlar a pressão arterial do seu doente, com os medicamentos atualmente disponíveis. Estamos perante uma HTA “resistente” que deve ser referenciada para uma consulta especializada, já que pode haver outros tratamentos alternativos.

Uma novidade

A desnervação simpática renal (DSR) é uma uma técnica minimamente invasiva que reduz o excesso de atividade dos nervos simpáticos localizados nas paredes da artéria renal e não implica que o doente tenha colocado um implante permanente. Estes nervos fazem parte do sistema nervoso simpático, que afeta os órgãos principais responsáveis pela regulação da pressão arterial: o cérebro, o coração, os rins e os vasos sanguíneos.

Esta técnica está atualmente a ser investigada, tendo sido apresentados recentemente dois estudos que comprovam a sua eficácia e que dão esperança a estes doentes.

Um artigo do médico Marco Costa, cardiologista do Centro Hospitalar de Coimbra.

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