Atualmente é apontada por estudos epidemiológicos, como a principal causa de perda de visão irreversível nas pessoas acima dos 50 anos em países desenvolvidos.

No presente vivemos muito focados na pandemia do Covid-19, contudo não nos podemos esquecer de algumas patologias que tanto afetam a nossa população, como é o caso da DMI, uma doença crónica que, na ausência de um diagnóstico e tratamento atempados, reduz de forma irreversível a visão central, com significativo impacto na vida do doente e da sua família.

Em geral, a DMI pode assumir três formas: uma forma inicial - DMI precoce e duas formas avançadas - DMI atrófica e DMI exsudativa.

Qual é a incidência e a prevalência?

A incidência e a prevalência da DMI têm vindo a aumentar. O envelhecimento geral da população, o aumento dos fatores de risco e a melhoria do diagnóstico, são apontados como motivos que o justificam. Sendo a magnitude da DMI acentuada pelo envelhecimento da população, reveste-a de particular interesse para a saúde pública.

De um modo geral, a incidência de todas as formas de DMI global é de 8.9%. A forma grave mais frequente é a DMI atrófica (80 a 90%). A forma exsudativa, embora menos frequente (10 a 20%), contribui para 90% das perdas graves de visão.

Dados oficiais em Portugal indicam que haverá cerca de 400 000 doentes com todas as formas de DMI. Todos os anos surgem cerca de 45.000 novos casos com a forma precoce da doença e cerca de 5.000 com a forma tardia.

Quais são os fatores de risco?

A DMI é uma doença multifatorial e complexa.

Tem como principais fatores de risco não modificáveis, a idade, história familiar, etnia e algumas alterações genéticas. O risco de DMI aumenta com a idade e é mais frequente na população caucasiana e asiática quando comparada com hispânicos e africanos. Alguns polimorfismos genéticos, envolvendo principalmente genes do complemento, aumentam a suscetibilidade ao desenvolvimento e progressão da DMI.

Por outro lado, o tabagismo, fatores nutricionais e o índice de massa corporal são apontados como fatores de risco modificáveis. O tabagismo está fortemente associado ao risco de desenvolvimento e progressão da DMI. O excesso de peso também representa um fator de risco da DMI.

A dieta rica em vitaminas e sais minerais antioxidantes, carotenóides e gorduras poli-insaturados ómega 3 parece ter potencial efeito protetor na progressão da DMI. Exemplos de alimentos ricos nestes nutrientes incluem fígado, gema de ovo, sardinha, atum, ostras, coentros, salsa, manjericão, cenoura, batata doce, couves, grelos, agriões, espinafres, ervilhas, brócolos, pimentos, milho, kiwi, papaia, manga, mamão, laranja, frutos secos, sementes chia e linhaça, azeite, entre outros.

Como se manifesta?

A DMI precoce não causa sintomas e esse é um dos principais motivos pelo qual se aconselha um exame oftalmológico anual a partir dos 50 anos. É caracterizada apenas por algumas alterações na área macular observáveis num exame de rotina.

A DMI atrófica é provocada pela atrofia progressiva da retina macular. A redução na visão central ocorre gradualmente ao longo de anos e caracteriza-se sobretudo pela dificuldade na leitura e observação de pequenos objetos distantes. Nas fases mais avançadas, a leitura fica impossível e a acuidade visual fica muito diminuída.

Na DMI exsudativa há formação de neovasos anormais sob a mácula que sangram e acumulam fluido causando lesões importantes e rápidas ao nível da mácula. Esta forma pode progredir rapidamente e causar perda substancial da visão central. Nestes casos, as queixas visuais mais frequentes são visão distorcida, visão ondulada, visão de mancha escura no campo visual central e redução súbita variável da acuidade visual.

Em muitos casos, numa fase inicial, a DMI afeta apenas um dos olhos e o doente pode não se aperceber da perda de visão do olho afetado porque compensa com o outro, atrasando o diagnóstico. Só quando a doença atinge o segundo olho é que haverá percepção e a visão que se perdeu será irreversível. Doentes que têm DMI num olho têm um elevado risco de envolvimento do outro olho. Adicionalmente, muitas vezes os sintomas são negligenciados e atribuídos a patologias oculares mais frequentes e banais como por exemplo, cataratas ou necessidade de óculos.

Desta forma, dificuldade na leitura com óculos bem adaptados, visão ondulada, manchas escuras centrais, redução rapidamente progressiva da visão, alteração no tamanho ou cor da imagem são sinais de alerta para procurar ajuda especializada.

Como pode ser feito o diagnóstico?

O diagnóstico é realizado pela simples observação da retina num exame oftalmológico de rotina em consulta. Também alguns exames complementares de diagnóstico, ajudam a determinar a extensão da doença, a monitorizar a evolução e a resposta aos tratamentos.

A autovigilância da doença nas suas fases iniciais com a utilização de uma grelha quadriculada (grelha de Amsler) permite avaliar a presença de distorções nas diversas linhas e pode ajudar a detetar a progressão para formas avançadas.

O diagnóstico atempado é fundamental especialmente nas formas exsudativas, que impõem tratamento imediato, uma vez que a perda da visão central é irreversível.

Vivemos atualmente num contexto de pandemia, no qual muitas doenças não estão a ser diagnosticadas nem acompanhadas. O diagnóstico e tratamento da DMI não podem ser adiados nem desvalorizados, mesmo em tempos de pandemia, uma vez que as consequências na visão central são irreversíveis.

Que tratamentos existem atualmente?

Atualmente ainda não existe nenhum tratamento que atue na DMI atrófica. Encontram-se em investigação alguns fármacos.

Na DMI exsudativa a terapêutica é feita recorrendo a injeções oculares (intravítreas) de fármacos antiangiogénicos que reduzem a hemorragia e o fluído na retina. Estes tratamentos permitem preservar a visão existente no início dos tratamentos e atrasar a sua redução. A frequência dos mesmos é variável e baseada nos sinais de atividade da doença. Nestes casos é essencial que o tratamento seja o mais precoce possível para uma melhor eficácia. O seu atraso origina, na maioria dos casos, alterações atróficas e cicatriciais ao nível da mácula, que provocam perda de visão irreversível e redução progressiva do campo visual central.

Como se pode fazer a prevenção?

O rastreio precoce desta patologia, pela sua natureza assintomática nas fases iniciais, é fundamental.

A prevenção para as formas avançadas deve ser feita recorrendo a estilos de vida saudáveis, nomeadamente o controlo do peso e cessação do tabagismo. Também uma dieta saudável e/ou suplementação com fórmulas comercializadas dirigidas para o olho, pode diminuir o risco de progressão da doença numa percentagem significativa de doentes.

Um artigo da médica Cláudia Sargaço Loureiro, oftalmologista no Hospital CUF Santarém e na Clínica CUF Miraflores.

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