O Inverno foi rigoroso e o Verão parecia não chegar. No entanto, tal como em anos anteriores, a vergonha do sol não demorou muito tempo e as temperaturas altas têm-se feito sentir. A estação preferida de muitos e esperada por tantos outros não se fez de rogada e chegou em força.

“A protecção solar deve estar presente diariamente, particularmente na Primavera e no Verão, altura em que é previsível um maior índice de ultravioleta. Esta protecção deve ser reforçada quando são efectuadas férias com exposição solar em locais tropicais, particularmente no Outono e no Inverno”, indica o Prof. Doutor Osvaldo Correia, dermatologista, secretário-geral da Associação Portuguesa de Cancro Cutâneo (APCC) e director clínico do Centro de Dermatologia Epidermis, no Porto.

Quando pensamos em protecção solar, temos obviamente de não esquecer os mais novos. As crianças têm menos defesas no que respeita aos efeitos nefastos do sol. Assim, é preciso garantir que os mais novos estão devidamente protegidos “nas actividades ao ar livre (incluindo recreios), nas actividades desportivas ao ar livre e muito particularmente nas férias de Verão, seja no campo, piscina ou praia”, acrescenta o dermatologista. Mas se os pais pensam que apenas o protector solar é sinónimo de segurança total da pele, devem ficar a saber que existem outras regras de ouro para que o sol brilhe em segurança na pele dos mais novos.

Horários para cumprir

O horário da exposição solar é um dos factores mais importantes e parece ser esquecido por muitos adultos que, de quando em quando, são entrevistados em jornais televisivos com as crianças por perto nas horas de maiores índices de raios ultravioleta. “Devem evitar sempre a exposição intencional das 12h00 às 16h00 e, idealmente, das 11h00 às 17h00”, indica Osvaldo Correia. A exposição solar deve ser “lenta e progressiva ao início ou fim da tarde, e não se deve prologar o tempo de exposição solar directa a mais de uma hora e meia a duas horas”, salienta.

Deve optar por vestuário adequado que inclua tecidos não-porosos e que cubra áreas delicadas como os decotes e ainda os braços e antebraços. “Não se esqueça também de colocar na criança o chapéu (de preferência de abas largas, para proteger toda a face, em particular o nariz e os lábios, bem como as orelhas e o pescoço), os óculos escuros (com protecção 100% dos UVB e UVA) e naturalmente o protector solar, que idealmente deverá ser igual ou superior a 30. Quanto mais fluido for o protector solar maior o número de aplicações ou camadas se deverá efectuar para obter o índice que está indicado na embalagem”, explica o dermatologista. Há que habituar as crianças a este verdadeiro kit de protecção solar, que deve ser respeitado pelos pais e divertido para os filhos. Pode deixá-los escolher o chapéu de que mais gostem, ou os óculos que irão usar, certificando-se sempre de que cumprem as regras adequadas para um Verão com mais segurança.

Idade a idade… tom sobre tom

Os bebés com idade inferior a 6 meses devem evitar a exposição intencional directa ao sol. “As áreas que não podem ser protegidas com roupa ou chapéu devem ser protegidas com ecrãs minerais. Até aos 3 anos devem evitar exposição solar depois das 11h00 ou antes das 17h00, recordando-se a regra da sombra”, explica Osvaldo Correia.

Nos dias de índice ultravioleta elevado (maior de 8), as crianças, mesmo neste horário, não devem prolongar o tempo de exposição a mais de uma hora e meia e devem estar devidamente protegidas. “Quanto mais jovem, clara ou sensível ao sol for a pele, mais cuidados devem existir, mas mesmo os de pele morena, que raramente ficam vermelhos, devem ter as mesmas regras de protecção”, diz-nos o dermatologista.

Como escolher um bom protector solar?

Os ecrãs minerais são fundamentais para crianças com menos de 6 meses e, idealmente, com menos de 3 anos “e devem ser usados em áreas nobres ou sensíveis, como a face ou os ombros. Estes protectores conferem protecção imediata.” Já os filtros químicos requerem cerca de 30 minutos para obterem a sua eficácia. “Quanto mais fluido for o protector, maior o número de camadas necessário para se obter a quantidade testada para aquele factor que corresponde a 2 mg/cm2. Na prática, alguns protectores, na forma de spray muito fluida, mesmo com índice 50, quando aplicados numa só camada, podem conferir protecções inferiores a um índice 10”, explica Osvaldo Correia.

Em caso de dúvida, recorra ao médico dos seus filhos ou mesmo a um dermatologista. “É importante que os pais não se iludam com a ideia de que um protector solar dura todo o dia ou que existe resistência completa ou prolongada à água.” Osvaldo Correia afirma ainda que “é importante lembrar que uma roupa com tecido com protecção ultravioleta só faz sentido se proteger também o decote, os ombros e, idealmente, todo o membro superior”. Vale mesmo a pena pensar nisto!

Regras de ouro para um Verão em segurança
 
- A exposição solar deve ser lenta e progressiva.
- Proteja as crianças na praia, piscina, montanha, quando faz desporto ao ar livre ou nas "caminhadas".
- Na pele exposta, utilize um protector solar, de textura adequada ao tipo de pele da criança, de índice de protecção solar ? 30, meia hora antes de sair de casa. Renove a protecção, se molhou ou transpirou bastante. Não use o protector solar para prolongar exageradamente a exposição solar. Procure uma sombra e/ou vista uma camisola ao fim de duas horas.
- Beba bastante água.
- Lembre-se de que as crianças de pele clara, olho claro, sardentas, que queimam facilmente e têm dificuldade em ficar morenas necessitam de cuidados redobrados. No entanto, o ser moreno e não ficar vermelho não é sinónimo de estar seguro.
- Proteja melhor as suas crianças se tem antecedentes pessoais ou familiares de cancro da pele.
- Nos dias de vento e nevoeiro, o sol é matreiro: queima sem darmos conta.
- Faça o auto-exame da pele com regularidade (em média de dois em dois meses).
- Se tiver qualquer dúvida em relação a um sinal que surgiu ou se modificou, não hesite em consultar o seu dermatologista. Esteja atento à sua pele e à dos seus filhos, não ignore um sinal que se modificou.

Texto: Cláudia Pinto

A responsabilidade editorial e científica desta informação é do jornal

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