A experiência conferiu um duro golpe na confiança dos suecos em qualquer futura vacina contra o coronavírus, devido aos temores relacionados com os efeitos secundários desconhecidos a longo prazo.

"Nunca recomendarei uma vacina que foi lançada no mercado apressadamente", conta à AFP Chebbi, de 21 anos, "a menos que realmente seja necessário vacinar-se por razões de risco". 

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O país escandinavo tem uma participação de mais de 90% no seu programa de vacinação infantil voluntário.

Mas uma recente investigação realizada pelo instituto Novus aponta que 26% dos suecos não pretendem tomar nenhuma das vacinas em desenvolvimento contra a COVID-19 e 28% estão indecisos.

Um total de 46% afirmaram que tomariam a vacina.

"Destruiu a minha vida"

Entre os que se opõem, 87% afirmam que é motivado pelo medo dos ainda desconhecidos efeitos colaterais.

As autoridades de saúde na Suécia pediram em 2009 à sua população que se vacinasse voluntariamente com a vacina Pandemrix contra a gripe A (H1N1), desenvolvida pela empresa britânica GlaxoSmithKline. Mais de 60% seguiram a recomendação, a maior percentagem do mundo.

Mas Chebbi e outras centenas de pessoas, principalmente crianças e jovens adultos menores de 30 anos, foram diagnosticados depois com narcolepsia, como um efeito colateral da vacina.  Com o tempo, foi estabelecida uma ligação com um adjuvante ou intensificador na vacina da Pandemrix que pretencia reforçar a resposta imune.

O que é?

A narcolepsia é um transtorno crónico do sistema nervoso que causa uma sonolência excessiva e geralmente incómoda.

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"Tenho ataques do sono o tempo inteito em qualquer tipo de situação e em momentos inadequados. [...] Durante minha refeição, em entrevistas de emprego, nas aulas, seminários, na universidade. Durmo no trabalho, no autocarro e em qualquer lugar", diz Chebbi. "Isso destruiu a minha vida", afirma.

O seguro farmacêutico sueco aprovou até agora 440 das 702 reclamações por narcolepsia vinculadas à Pandemrix, pagando um total de 100 milhões de coroas (9,8 milhões de euros).

Anders Tegnell, epidemiologista-chefe do governo sueco e um rosto conhecido da controversa estratégia "branda" do país no combate ao coronavírus, fazia parte de um grupo de especialistas no Conselho de Saúde que pediu uma vacinação em massa em 2009-2010.

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