O estudo “A perceção dos portugueses sobre cancro do pulmão” decorreu entre 14 e 20 de janeiro deste ano e teve como objetivo aferir perceções, comportamentos e atitudes da população portuguesa em diferentes áreas relativas a este tema.

As conclusões apontam que “os cidadãos com menos recursos económicos, com mais baixa taxa de escolaridade e que vivem afastados dos grandes centros são aqueles que menos informação e menos conhecimento têm sobre a doença, sobre os tratamentos possíveis para essa doença e sobre o resultado desses tratamentos”, disse à agência Lusa o diretor do serviço de oncologia médica do Centro Hospitalar Universitário do Porto, António Araújo.

Por outro lado, observou o oncologista, “mesmo nos grandes centros, mesmo com população mais informada em termos de saúde, mantém-se um grau baixo de conhecimento acerca desta patologia e acerca de tudo o que a rodeia”.

Segundo o estudo, que é divulgado hoje na apresentação da Aliança para o Cancro do Pulmão, 34% dos inquiridos admite ter um conhecimento muito limitado sobre o cancro do pulmão, 39% um conhecimento intermédio e 19,5% diz ter algum conhecimento.

Apenas 8,8% admite ter um “elevado conhecimento” sobre o cancro do pulmão, o tumor maligno que mais mata, tendo vitimado mais de 4.600 portugueses em 2018, refere o estudo divulgado no Dia Internacional da Luta Contra o Cancro.

Mais de metade dos participantes (55,2%) desconhece a existência de rastreios para o cancro do pulmão, 37,2% diz conhecer e 7,7% diz que não existem, adianta o inquérito realizado a uma amostra representativa da população portuguesa com mais de 18 anos, com telefone fixo ou móvel, constituída por 600 questionários.

Entre os 37,2% que reconhece a existência de rastreios, 82,1% não tem conhecimento de rastreios na sua região e 86,1% nunca fez um rastreio.

Para António Araújo, o estudo vem demonstrar que continua a haver “um grande grau de iliteracia da população portuguesa” no que respeita à saúde em geral e ao cancro do pulmão em particular.

“Há um grande trabalho a fazer no sentido de esclarecer as populações, sensibilizar os cidadãos, não só para os fatores de risco desta doença, mas também para os tipos de tratamentos que têm surgido, nomeadamente as terapias dirigidas a alvos celulares específicos e a imunoterapia”, defendeu.

O oncologista, que faz parte da Aliança para o Cancro do Pulmão, um projeto que reúne várias entidades, destacou a importância de o cidadão estar “mais e melhor informado”.

“Ganha poder, ganha conhecimento, que lhe permitirá depois decidir sobre os tratamentos que deve fazer e as opções que pode tomar acerca da sua doença e do seu tratamento”, disse, sublinhando que, caso contrário, irá basear-se em preconceitos e em mitos que não refletem a realidade.

O estudo revela uma tendência de quanto maior o grau de escolaridade dos inquiridos, menor a sua crença em mitos como “não existe nenhum tratamento específico para o cancro do pulmão”.

Segundo o inquérito elaborado pela Spirituc Investigação Aplicada, 79% dos participantes considera que deveria existir mais informação e divulgação sobre esta doença e 92% referiu ter preocupação em manter-se informado sobre temas de saúde.

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