Mais de três milhões de portugueses sofrem de doenças reumáticas e a falta de especialistas nalguns hospitais obriga os pacientes a percorrerem longas distâncias para serem tratados, alertou o presidente da Sociedade Portuguesa de Reumatologia (SPR).

“A cobertura de reumatologistas é muito insuficiente”, disse à Lusa o presidente da SPR, Luís Maurício, lembrando que há zonas do país com apenas um especialista para toda a população e outras “onde nem um existe”.

Baseando-se nos dados da Administração Central dos Serviços de Saúde (ACSS), Luís Maurício recordou que os hospitais de Faro e Évora têm “apenas e só um reumatologista". O mesmo se passa com os doentes de Braga, Tomar, Guarda e Vila da Feira, que partilham um único especialista e muitos problemas.

Uma das pacientes da médica do Hospital de Vila da Feira, Fernanda Sousa, explicou à Lusa as dificuldades de existir apenas um profissional: "No Hospital de São Sebastião as consultas de reumatologia tinham uma lista de espera de seis ou sete meses para os doentes que já estavam a ser acompanhados".

A doente nortenha, de 46 anos, optou por "gastar o dobro do tempo e do dinheiro em viagens" para passar a ser vista no hospital de Vila Nova de Gaia.

Mas é no sul do país que se registam as situações mais complicadas: "Todo o Algarve tem apenas um reumatologista e os distritos de Beja e Portalegre não têm ninguém, o que obriga os doentes a muitos quilómetros só para ir à consulta", alertou António Vilar, secretário-geral da Associação Nacional de Doentes com Doenças Reumáticas (ANDAR).

O presidente da SPR lembrou outras regiões esquecidas onde não existe qualquer reumatologista, como acontece em Vila Real de Trás-os-Montes, Caldas da Rainha ou Leiria.

Sem especialistas, a solução para os utentes passa por “percorrerem distâncias por vezes muitos significativas desde o seu local de residência até ao hospital onde existem consultas de reumatologista”, lamentou Luís Maurício.

O reumatologista António Vilar reconhece que "não existe uma distribuição uniforme de profissionais", mas lembra que "a situação está bem melhor do que há uns anos, quando os habitantes de Bragança tinham de ir ao Porto para uma consulta".

Apesar da carência de especialistas nalguns hospitais, o presidente da SPR receia que em breve passem a existir jovens reumatologistas sem hospitais onde trabalhar, resultado do congelamento das contratações na função pública.

“É preciso que os recursos humanos formados nos hospitais com recursos financeiros do estado sejam utilizados para poder dar uma cobertura nacional adequada em termos de cuidados de reumatologia”, defendeu Luís Maurício.

Para António Vilar, quem decidiu congelar as contratações não pode ignorar as carências hospitalares e as necessidades da população.

5 de janeiro de 2012

@Lusa

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