"Dívidas em atraso significa falta de qualidade de serviços prestados aos utentes, significa, por exemplo, que, nas unidades de cuidados continuados, onde há dívidas que já passam os quatro meses às entidades que têm estas unidades, são utentes que ficam numa situação bastante mais complicada quando não chega aos hospitais aquilo que é necessário para fazer as cirurgias que estão programadas", defendeu ontem Assunção Cristas no parlamento.

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No debate quinzenal com o primeiro-ministro, a líder do CDS confrontou António Costa com os números da execução orçamental que mostram, disse, que "no final do ano as dívidas a fornecedores na saúde eram 837 milhões de euros, em janeiro deste ano passaram a 951 milhões de euros".

António Costa sublinhou que o objetivo do Governo é eliminar as dívidas, reiterou que o executivo aumentou o número de profissionais no Serviço Nacional de Saúde, bem como de cirurgias e consultas realizadas e acusou Assunção Cristas de ser "porta-voz dos cobradores do SNS".

"Em novembro do ano passado o seu ministro da Saúde fazia notícia com o pagamento anunciado de 1,4 milhões de euros a fornecedores até ao final do ano, leia-se 2017. Ora, a execução orçamental deste ano mostra-nos que o pagamento atrasado aos fornecedores voltou a crescer", começou por afirmar Assunção Cristas.

O primeiro-ministro respondeu que o compromisso foi de pagamento da dívida, "por duas formas, uma, diretamente, outra através do reforço de capitais dos hospitais para que procedessem ao seu pagamento".

"Naturalmente, impediria que fossem pagos nessa data porque entre a transferência das verbas para incorporação do capital, a incorporação no capital e a sua transformação em pagamento das dívidas havia seguramente um diferimento no tempo. Esse diferimento no tempo tem existido, mas o objetivo que está estabelecido é efetivamente a eliminação dessa dívida", sustentou.

Face a este esclarecimento, Assunção Cristas disse o "anúncio de que as dívidas seriam regularizadas até ao final do ano, tratava-se, afinal, de uma mera intenção, não tinha nada de substrato que permitisse cumprir essa mesma intenção".

"Era um sonho, não se estava no domínio da realidade", afirmou.

A líder centrista argumentou que este "não é um tema esotérico, nem um tema que se vai gerindo ao longo do ano, ora sobe, ora desce".

"Cada vez que as dívidas aumentam são doentes que veem os serviços degradados, que veem cirurgias cancelas, são enfermeiros, médicos e auxiliares que desesperam porque não têm condições para fazer o seu trabalho", insistiu.

Neste passo, Assunção Cristas dirigiu-se diretamente ao ministro das Finanças: "Senhor ministro das Finanças não sorria, espero, aliás, poder ouvi-lo na comissão de saúde sobre este tema, porque esta não é uma matéria para sorrir".

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