Com o projeto "Nutrition UP 65 - nutritional strategies facing an older demography" pretende-se gerar conhecimento para que se criem intervenções baseadas na evidência científica que "levem a pequenas mudanças, práticas e económicas, que se tornem em hábitos", disse à Lusa a coordenadora Teresa Amaral.

Durante a investigação, promovida pela Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto (FCNAUP), vão ser inquiridas 1.500 pessoas, com 65 anos ou mais, numa amostragem representativa dos idosos portugueses, de acordo com a idade, o género, o nível de ensino e a área regional do país.

As entrevistas vão permitir a recolha de material sobre dados sociodemográficos, o estilo de vida, o estado de saúde, a perceção do estado de saúde, a medicação, o estado nutricional, incluindo a antropometria, os indicadores funcionais, a fragilidade e a sarcopenia.

Os níveis de vitamina D e o estado de hidratação também vão ser avaliados (através de análises clínicas).

Segundo informação disponibilizada na página oficial do Nutrition UP 65, alguns estudos revelam que a desnutrição em pessoas idosas na Europa é elevada e para "piorar este cenário, as tendências atuais indicam que nesta faixa etária a prevalência de obesidade e de obesidade sarcopénica também vai aumentar".

As alterações no estado nutricional têm implicações na fragilidade - associada à uma maior morbilidade e mortalidade nos idosos. Os baixos níveis de vitamina D, a desidratação e o elevado consumo de sódio também associam-se a complicações clínicas, lê-se ainda na página.

Os dados recolhidos durante a fase de inquérito vão ser utilizados para melhorar a literacia e já estão a ser postos em prática programas educativos orientados para os profissionais de saúde (médicos, enfermeiros, nutricionistas, dietistas, entre outros) que têm contacto com a população idosa.

Estes são acreditados e creditados pela Universidade do Porto e vão ter enfoque na avaliação e na monitorização do estado nutricional e na implementação de suporte nutricional.

Relativamente às pessoas idosas, aos seus cuidadores - formais e informais - e aos preparadores de alimentos, foi criada uma rede de voluntários a nível nacional, que integra estudantes e ex-estudantes da FCNAUP, com o objetivo de ministrar formação básica em alimentação saudável e em planeamento e preparação de refeições, referiu Rui Valdiviesso, investigador da FCNAUP.

"Queremos que os voluntários atuem no seio das suas comunidades, com as quais têm uma ligação afetiva e cultural, onde conhecem os hábitos de vida das pessoas e o seu padrão alimentar", acrescentou.

Este projeto conta com a participação dos investigadores Cláudia Afonso, Patrícia Padrão, Pedro Moreira, Nuno Borges e Alejandro Santos, e com os assistentes de investigação Rita Guerra, Ana Sousa, Rui Valdiviesso e Luísa Álvares, da FCNAUP.

No Nutrition UP 65 colaboram ainda as investigadoras Cátia Martins, do Departamento para a Pesquisa do Cancro e Medicina Molecular da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia, e Graça Ferro, da Unidade Local de Saúde do Alto Minho, EPE.

O estudo, iniciado em abril de 2015, vai ser finalizado em abril de 2017, e foi financiado pelo EEAGrants - Programa Iniciativas de Saúde Pública - em 519 mil euros, tendo sido 15% desse montante assegurado pela Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto.

Um outro estudo também da Universidade do Porto (UPorto) está a analisar o estado nutricional dos idosos para capacitar os profissionais de saúde e os cuidadores para uma maior vigilância e uma diminuição da desnutrição desta faixa etária.

Com o projeto "Nutrition UP 65 - nutritional strategies facing an older demography" pretende-se gerar conhecimento para que se criem intervenções baseadas na evidência científica que "levem a pequenas mudanças, práticas e económicas, que se tornem em hábitos", disse à Lusa a coordenadora Teresa Amaral.

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