A investigação começou quando agentes detetaram que as pessoas residiam dentro deste estabelecimento comercial, que havia cessado a sua atividade. Numa inspeção local, encontraram cidadãos de Portugal, Espanha, Bangladesh, Colômbia, Filipinas, Honduras, Peru e Venezuela.

A proprietária do restaurante e o proprietário do imóvel foram detidos e acusados dos crimes de favorecimento de imigração irregular, coerção e contra a saúde pública, disse hoje fonte da polícia espanhola.

No restaurante, localizado no bairro de San Blas, em Madrid, cerca de vinte pessoas moravam em espaços de apenas metro e meio, separadas por plástico ou papelão, incluindo dois bebés com menos de um ano de idade.

Estas pessoas pagavam 400 euros por mês e, quando não conseguiam realizar o pagamento, eram submetidos a coação, impedidos de aceder aos serviços básicos, forçavam-nos a dormir em espaços ainda mais pequenos, tendo sido ameaçados de serem infetados com o novo coronavírus.

As pessoas viviam dentro do estabelecimento em condições insalubres, amontoados em espaços muito pequenos e inadequados para a habitabilidade, detalhou a polícia.

Os responsáveis instalaram colchões no balcão do bar, na cozinha ou no quintal, separando cada "quarto" por papelão ou plástico.

No caso de não poder pagar o aluguer, impedia-os de aceder aos suprimentos básicos e transferia-os para espaços ainda menores, como banheiros pequenos ou até uma sala fria.

Além disso, para intimidar ainda mais as vítimas, a proprietária do restaurante disse que era portadora do novo coronavírus e tossia e espirrava em pratos e outros itens quando estavam na hora das refeições.

O proprietário do imóvel também estava ciente das práticas da dona do restaurante, pelo que também foi detido.

A polícia detalhou que a investigação ainda está aberta e a existência de outras pessoas envolvidas não é descartada porque algumas das vítimas trabalhavam num hostel.

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