3 de janeiro de 2013 - 06h55

Os portugueses sorriem muito pouco, segundo um estudo revelado na quinta-feira no Porto que aponta para uma "drástica e preocupante diminuição na frequência e intensidade do sorriso”, sobretudo nos últimos dois anos.

No estudo "Uma década de sorriso em Portugal" analisam-se quase 400 mil fotografias publicadas na imprensa, entre 2003 e o final de 2013. "Os resultados da análise ao sorriso dos portugueses durante o segundo semestre de 2013, revelam uma expressiva diminuição na frequência e intensidade, a maior desde o início do estudo em 2003”, diz Freitas Magalhães, diretor do Laboratório de Expressão Facial da Emoção da Faculdade de Ciências da Saúde, da Universidade Fernando Pessoa.

Para o autor, este facto é "muitíssimo preocupante em termos de saúde dos portugueses”.

Mulheres sorriem mais

De acordo com os resultados do trabalho, as mulheres continuam a sorrir mais do que os homens, apesar de o "registo descendente acentuadíssimo" em relação a 2012 – independentemente da idade.

Já os homens apresentaram mais o sorriso fechado a partir dos 60 anos e as crianças são as que continuam a apresentar mais (e frequentemente) o sorriso largo.

"No universo das fotografias analisadas, verificou-se, também, que a expressão facial de emoções negativas é mais frequente e intensa do que a de emoções positivas", adianta o autor, salientando que "este padrão se acentuou expressivamente durante o segundo semestre de 2013".

Freitas Magalhães indicou ainda que "ao longo dos 10 anos de
estudo ficou comprovado que um dos moderadores da frequência e
intensidade da exibição do sorriso é o contexto social, o que se
verificou no caso português, pois a situação económico-social potenciou a
inibição da expressão, sendo que o género e a idade são os outros dois
moderadores".

Segundo o autor, "o sorriso é uma reação
neuropsicofisiológica que se desenvolve em situações que envolvam o
bem-estar e a felicidade; quando tal não se verifica, por motivos
externos, é inibido e recalcado". O autor alerta para as consequências
na saúde desta realidade, sublinhando que a inibição do sorriso
"potencia sentimentos, emoções e condutas negativas levando a um quadro
psicopatológico preocupante".

A análise de todos os dados
recolhidos ao longo de uma década será apresentada no livro "Portugal
Emocional - Uma Década de Sorriso em Portugal".

O Laboratório de
Expressão Facial da Emoção iniciou hoje um novo estudo intitulado A
Neuropsicofisiologia da Felicidade – Estudo Longitudinal com
Portugueses, o qual irá prolongar-se também por uma década.

SAPO Saúde com Lusa

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