8 de janeiro de 2014 - 20h14

A Ordem dos Médicos responsabilizou hoje o Ministério da Saúde pelas dificuldades de acesso dos doentes aos meios de diagnóstico, a propósito do caso de uma mulher que esperou dois anos por um exame que confirmou um cancro avançado.

Em comunicado, a Ordem refere que "as dificuldades no acesso aos meios complementares de diagnóstico e terapêutica são da total responsabilidade do Ministério da Saúde, devido às decisões tomadas e aos cortes excessivos no financiamento do Serviço Nacional de Saúde [SNS]".

Na mesma nota, a Ordem dos Médicos sustenta que, por despacho da tutela, de 2011, "foi extraordinariamente dificultada a referenciação de doentes a médicos privados convencionados para poderem realizar os meios complementares de diagnóstico e terapêutica que os médicos do SNS consideravam ser necessários".

Além disso, acrescenta, "os valores a pagar, por muitos destes exames, não eram atualizados há anos, tornando-os desinteressantes para o setor privado, pelo que deveria ser o SNS a assumir essa responsabilidade".

O jornal Diário de Notícias noticiou hoje que uma mulher descobriu que tinha um cancro em estado avançado, depois de ter estado dois anos à espera de uma colonoscopia (exame endoscópico do intestino grosso).

A doente fez o rastreio ao cancro colorretal e a análise foi positiva, tendo sido de imediato encaminhada para o Hospital Amadora-Sintra. Contudo, foi chamada para consulta apenas um ano depois.

A colonoscopia, fundamental para confirmar o diagnóstico de cancro colorretal, demorou mais de um ano a ser feita.

A mulher encontra-se a fazer quimioterapia para reduzir o tumor.

Tanto o Hospital Amadora-Sintra como a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde decidiram abrir um processo de averiguações.

A Administração-Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo admitiu que há um "problema preocupante" com a capacidade de resposta para realizar colonoscopias na região, tanto no setor público como no privado.

Segundo
o presidente da Associação de Luta Contra a Cancro do Intestino, Vítor
Neves, as normas internacionais determinam que, após um rastreio
positivo à pesquisa de sangue oculto nas fezes, a colonoscopia deve ser
feita de imediato.

A mesma associação assinala que, quando um
hospital não tem capacidade para responder, o doente deve ser
encaminhado para o setor privado para realizar a colonoscopia.

A propósito deste caso, o PCP requereu hoje a audição do ministro Paulo Macedo na Comissão Parlamentar de Saúde.

SAPO Saúde com Lusa

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