Em Portugal, a vacinação contra o HPV no âmbito do Plano Nacional de Vacinação (PNV) teve início em 2008, com a vacina quadrivalente, sendo esta a partir de agora substituída pela vacina nonavalente contra o HPV que tem potencial para prevenir mais 20% de casos de cancro e mais 30% de casos de lesões pré-cancerosas associadas a este vírus.

De acordo com Daniel Pereira da Silva, ginecologista e presidente da Federação das Sociedades Portuguesas de Obstetrícia e Ginecologia, a inclusão da vacina contra o cancro do colo do útero no PNV "é de grande importância, porque significa que neste capítulo estamos a acompanhar o que de melhor se faz em todo o mundo".

"Aumentamos o potencial de prevenção de cancro do colo do útero de 70 para 90%, para além de outros benefícios consideráveis na prevenção de doenças benignas que são muito comuns", explica o especialista.

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Sobre a idade recomendada para administração da vacina (10 anos), o ginecologista adianta que "a máxima eficácia possível da vacina é atingida quando rapazes e raparigas são vacinados antes dos seus primeiros contactos sexuais, daí essas idades serem preferenciais. Isso não significa que a vacina não seja eficaz nos mais velhos. A eficácia está demostrada até aos 45 anos de idade, por isso há que vacinar pelo menos até essa idade", acrescenta.

"Os 9 tipos de HPV contra os quais a vacina nonavalente protege são responsáveis por aproximadamente 90% de todos os casos de cancro do colo do útero, 85-90% dos cancros da vulva associados ao HPV, 90-95% dos cancros do ânus associados ao HPV e 80-85% dos cancros da vagina associados ao HPV, em toda a Europa", comenta a médica Filipa Prata, pediatra no Hospital de Santa Maria.

O que é o HPV?

O Papilomavírus Humano (HPV) é uma das principais causas de cancro tanto em mulheres como em homens (já que para além do cancro do colo do útero pode também causar outros cancros anogenitais, como os da vulva, vagina e ânus e cancros da cabeça/pescoço). Para além do potencial oncogénico do vírus, o HPV pode ainda causar verrugas genitais (condiloma acuminado).

O HPV é um vírus muito frequente e estima-se que cerca de 75% da população tenha ou venha a ter contacto com o vírus ao longo da vida, não estando a infeção relacionada com comportamentos de risco. A vacina de nova geração contra o HPV representa um avanço médico significativo para a saúde pública e pode ser administrada em ambos os sexos, a partir dos 9 anos.

Em Portugal, estima‐se que ocorram anualmente cerca de 1.700 casos de cancro do colo do útero, vulva, vagina e ânus atribuíveis ao HPV. Na Europa, ocorrem anualmente 80.000 novos casos de cancro atribuíveis ao HPV (50.000 casos do colo do útero, vulva, vagina e ânus e 400.000 lesões pré‐cancerosas).

Em Portugal estima‐se que o potencial de proteção possa ser ainda superior: dados da Direção-geral da Saúde apontam para que cerca de 97% dos casos de cancro do colo do útero e respetivas lesões pré-cancerosas estejam associados aos tipos de HPV de alto risco agora cobertos pela vacina nonavalente.

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