Embora a auscultação cardíaca seja "um dos mais simples e rápidos exames de rastreio cardiopulmonar, com uma relação custo-eficácia imbatível, a mestria desta arte clínica é difícil de atingir", dadas as características específicas do som de auscultação, "desadequadas para o ouvido humano", lê-se numa nota sobre o projeto SmartHeart, divulgada pela FCUP.

10 conselhos médicos para ter um coração de ferro
10 conselhos médicos para ter um coração de ferro
Ver artigo

Em declarações à agência Lusa, o professor da FCUP Miguel Coimbra, líder do projeto, explicou que a tecnologia em desenvolvimento recolhe e processa, de forma simultânea, sinais de auscultação e eletrocardiograma.

Segundo indicou, a inovação associada ao projeto prende-se com a combinação desses sinais, normalmente analisados independentemente, através de algoritmos que usam 'deep learning' (um tipo de inteligência artificial no qual as decisões tomadas não estão definidas à partida, mas vão evoluindo com o tempo).

O intuito, continuou, é criar sistemas "mais inteligentes e fiáveis", que possibilitam aos clínicos melhorar a capacidade de rastrear doenças, em ambiente hospitalar e domiciliário, recorrendo a instrumentos como estetoscópios inteligentes.

O objetivo secundário, acrescentou Miguel Coimbra, é a possibilidade de testar o uso destas ferramentas por não clínicos, mediante a precisão alcançada pelos algoritmos que estão a ser desenvolvidos.

A ideia para a criação deste projeto surgiu no seguimento de duas linhas de investigação com mais de uma década: uma de auscultação interativa e outra de sensores de eletrocardiografia configuráveis.

O SmartHeart provém de "uma junção natural destas duas linhas de sucesso, na esperança que a análise de múltiplos sinais leve a precisões mais elevadas de rastreio e a novas tecnologias passíveis de produção", acrescentou o professor da FCUP.

O projeto foi recentemente distinguido no âmbito do programa NVIDIA GPU Grant Program, tendo recebido uma placa NVIDIA GeForce Titan Xp.

De acordo com Miguel Coimbra, essa placa será a base de processamento dos algoritmos de 'deep learning', permitindo acelerar toda a investigação ao nível da análise simultânea de sinais de auscultação e eletrocardiograma para o rastreio das patologias.

O SmartHeart, financiado pelo Instituto de Telecomunicações (IT), tem a cooperação do Instituto Superior Técnico e da Universidade da Beira Interior, contando ainda com a parceria das empresas IS4H e Plux, "observadores privilegiados para a transferência de tecnologia dos resultados mais promissores obtidos no projeto", disse ainda o responsável.

Neste grupo de investigação estão igualmente envolvidos o professor Francisco Renna e o investigador Jorge Oliveira, ambos da FCUP.

Newsletter

Receba o melhor do SAPO Lifestyle diariamente no seu email.

Notificações

Os temas mais inspiradores e atuais estão nas notificações do SAPO Lifestyle.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.