Uma equipa do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) da Universidade de Coimbra, liderada por Cláudia Cavadas, recebeu o prémio Innovator Award, de cerca de 120.000 dólares (cerca de 100.000 euros), atribuído por duas organizações norte-americanas. A recompensa vai permitir financiar durante dois anos a investigação de uma doença rara em que as crianças envelhecem muito rapidamente e não chegam à vida adulta, a progeria. Em entrevista à Prevenir, a especialista revela o que está a ser feito.

O que pretendem estudar?

O nosso grupo está a investigar o potencial de algumas moléculas endógenas, como o neuropeptídeo Y (NPY), uma molécula que estimula uma espécie de reciclagem de partes envelhecidas das células, denominada de autofagia, com vista a contrariar os efeitos da progeria.

O que já descobriram?

Até agora, não existe tratamento para esta patologia, mas alguns estudos têm conseguido atrasar ligeiramente a progressão da doença e aumentar, em média, cerca de dois anos a esperança de vida dos doentes. A nossa equipa considera que o NPY poderá ser um regulador de envelhecimento capaz de, eventualmente, atrasar ou contrariar os efeitos da doença, segundo a evidência de estudos que realizámos anteriormente em ratinhos de laboratório e células.

Que resultados esperam alcançar?

Os resultados desta investigação ainda vão demorar muito tempo até uma utilização clínica, mas poderá, no futuro, auxiliar na descoberta de uma estratégia terapêutica que contrarie o envelhecimento acelerado das crianças com progeria e, quem sabe, atrasar o envelhecimento  natural de todos nós.

O que é a progeria

Também conhecida por síndrome de progeria de Hutchinson-Gilford, é uma doença genética rara, caracterizada por um envelhecimento precoce e acelerado. Estima-se que afete uma criança em cada quatro a oito milhões e os sintomas aparecem geralmente após o primeiro ano de vida, sendo a idade média de diagnóstico da patologia entre os dois e os três anos de vida.

As crianças com progeria apresentam algumas características semelhantes a indivíduos idosos, como envelhecimento da pele, dos ossos e articulações, perda de cabelo, aterosclerose, complicações cardíacas e vasculares, ainda que não denotem alterações no desenvolvimento cognitivo nem na memória. A esperança média de vida ronda os 13/14 anos e a morte ocorre, geralmente, por enfarte do miocárdio ou acidente vascular cerebral (AVC).

Texto: Carlos Eugénio Augusto com Cláudia Cavadas (investigadora do CNC e professora auxiliar da Universidade de Coimbra)

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