Esta quarta-feira, diversos pontos da Ásia, onde a gestão da pandemia era considerada um exemplo, voltaram a instaurar confinamentos ou medidas de restrição, o que mostra que a COVID-19 continuar a alastrar. Na Índia, 140 milhões de pessoas, de um total de 1,3 mil milhões de habitantes, devem regressar ao confinamento nas regiões de Bangalore (sul) e Bihar (norte). Em Hong Kong, bares, academias e salões de beleza fecharam as portas esta quarta-feira. A multa para quem não usa a máscara nos transportes públicos é de 650 dólares.

Tóquio, onde vivem 14 milhões de pessoas, está em alerta máximo devido ao aumento de casos, afirmou a governadora da capital japonesa, Yuriko Koike.

Em Espanha, a cidade de Lérida e vários municípios próximos na região da Catalunha (noroeste) voltaram ao confinamento: os moradores só podem sair de casa para trabalhar, fazer compras, ir ao médico ou caminhar ao lado de pessoas que moram na mesma residência.

Além disso, as autoridades regionais fizeram um apelo para que os moradores evitem sair de casa em três bairros de L'Hospitalet de Llobregat, uma cidade próxima de Barcelona, onde os casos de COVID-19 estão em alta.

Mais de 120 focos de contágio estão ativos atualmente no país, o que levou diversas regiões, como Catalunha, Baleares ou Andaluzia, a reforçar o caráter obrigatório do uso da máscara nas ruas e espaços públicos fechados, sob pena de multa.

Sem vacina, sem carnaval

A pandemia já matou mais de 578.000 pessoas no mundo e provocou mais de 13,3 milhões de contágios, de acordo com um balanço da AFP a partir de dados oficiais, que podem ser muito inferiores aos dados reais.

Os números são particularmente preocupantes na América Latina, que se aproxima de 3,5 milhões de casos e de 150.000 mortes.

O Brasil, o segundo país mais afetado do mundo, concentra metade das mortes e quase dois milhões de contágios. O coronavírus ameaça a organização do carnaval, em fevereiro de 2021: algumas escolas de samba do Rio de Janeiro informaram que não participarão do próximo carnaval se uma vacina para o novo coronavírus não for encontrada e estiver amplamente disponível.

O presidente Jair Bolsonaro, infetado e em quarentena, anunciou que fará um novo teste.

Na Colômbia, 3,5 milhões de pessoas regressam ao confinamento estrito na segunda-feira devido ao preocupante avanço da epidemia.

O Peru, com mais de 12.000 mortes por coronavírus, suspendeu as primárias obrigatórias, que os partidos organizariam este ano visando as eleições presidenciais de 2021. Além do impacto humano, o choque económico provocado pela pandemia na América Latina é alarmante.

Em diversos pontos do Chile aconteceram protestos na madrugada de quarta-feira a favor da retirada antecipada de fundos de pensão que está a ser debatida no Congresso. Para aliviar a situação económica de muitos cidadãos, o presidente Sebastián Piñera anunciou uma transferência do equivalente a 630 dólares a trabalhadores ou desempregados afetados pela pandemia, como reforço a um criticado plano de apoio à classe média.

Na Bolívia, milhares de pessoas protestaram contra as políticas de saúde, educação e trabalho da presidente interina, Jeanine Áñez.

"Parte do problema"

Nos Estados Unidos, a pandemia continua a propagar-se pelo sul e oeste do país: em 24 horas foram registados 63.262 novos casos, o que aumenta o balanço oficial para mais de 3,4 milhões. A COVID-19 matou 850 pessoas em apenas um dia, o que deixa o total no país acima de 136.000 vítimas fatais.

O imunologista Anthony Fauci, principal conselheiro da Casa Branca na pandemia, voltou a advertir os americanos sobre o risco de relaxar e esquecer as medidas de precaução, especialmente os jovens, que, citou como exemplo, sentem que são mais vulneráveis e "desejam tomar uma margarita num bar lotado". "Devem entender que estão a propagar a pandemia sem saber que são parte do problema, não da solução", afirmou o cientista.

Mas as poucas boas notícias das últimas horas também chegaram dos Estados Unidos, onde a empresa de biotecnologia Moderna anunciou a fase final do teste clínico de sua vacina contra a COVID-19, que será testada em 30.000 pessoas no país.

O estudo será prolongado até outubro de 2022, mas os resultados preliminares serão divulgados muito antes. Em caso de sucesso, a Moderna pretende produzir pelo menos 500 milhões de doses por ano.

Antecipando a possibilidade de uma vacina, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) informou que trabalha "para garantir que os países mais vulneráveis da região recebam a vacina contra a COVID-19 de forma subsidiada com preços acessíveis", afirmou a diretora da instituição, Carissa Etienne.

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