Além disso, defende um maior envolvimento dos médicos de medicina geral e familiar na prevenção e no encaminhamento dos seus doentes para as consultas de cessação tabágica.

“Existe uma lista de espera significativa nas consultas de cessação tabágica. É precioso disseminar as consultas para que haja maior acessibilidade da população. Não é compreensível que quem quer deixar de fumar esteja meses à espera”, disse à Lusa o médico Robalo Cordeiro, presidente da Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP).

Por isso, considera fundamentais os cuidados de saúde primários, mas é a este nível “que a prevenção faz sentido”.

“O médico de família é o que tem maior proximidade com o doente conhece-o numa perspetiva global e é nessa perspetiva que o tabaco deve ser abordado e não apenas na vertente da doença respiratória”, defende.

Também porque o tabaco é uma questão de saúde pública e por isso faz sentido a proximidade dos cuidados primários, considerou.

Para Robalo Cordeiro, é preciso aumentar a acessibilidade e a facilidade de recurso a essas consultas.

“Não existe um número suficiente de consultas para permitir acesso de todos doentes”, sublinhou, descartando a possibilidade de centrar a consulta para deixar de fumar no médico de família.

Este é importante para o aconselhamento, para a prevenção, para o encaminhamento e para uma intervenção breve, mas deve haver a consulta específica e diferenciada, mesmo porque se trata de uma “consulta peculiar, uma intervenção dirigida, que exige formação específica”, destacou o médico.

Reconhecendo a dificuldade de combater esta dependência, a SPP afirma que por vezes só é possível ter sucesso com uma intervenção multidisciplinar.

Ana Figueiredo, presidente da Comissão de Tabagismo da SPP considera que “é fundamental tratar a dependência tabágica de uma forma multidisciplinar. Deixar de fumar é um processo que envolve inúmeras áreas da saúde passando pela pneumologia, psicologia até à nutrição”.

Nesse sentido, foi lançado na quinta-feira, no XXX Congresso de Pneumologia, o 1º Curso de e-learning para formação na área da cessação tabágica.

O tabaco mata mais de 650 mil pessoas por ano na União Europeia e só em Portugal estima-se qua haja mais de dois milhões de fumadores, embora sejam cada vez mais as pessoas que procuram ajuda para deixar de fumar.

A prevalência do tabagismo em Portugal situa-se nos 23%, segundo dados do Eurobarómetro 2013, mas estudos portugueses apontam para um aumento da prevalência nos jovens.

Apesar destes dados, o tabagismo continua a ser um tema pouco debatido e pouco ensinado, em todas as áreas da saúde, lamentam os responsáveis da SPP.

Em Portugal tem havido um esforço importante no sentido de aumentar o número de consultas de cessação tabágica, quer a nível hospitalar, quer dos Centros de Saúde, mas é “notoriamente insuficiente, havendo ainda regiões do país em que o número de consultas é muito baixo ou mesmo inexistente”.

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