"Este prémio vai para o trabalho árduo de muitas pessoas que estão à minha volta: os meus pacientes, os meus colegas, as pessoas que nos ajudam a realizar o programa DREAM, os nossos patrocinadores, o governo e a comunidade Sant'Egídio", disse à Lusa a médica moçambicana que se encontra na cidade alemã de Aachen para receber a distinção.

Noorjehan Magid referiu que o programa DREAM foca-se no tratamento de mães seropositivas e na prevenção da transmissão do VIH de mães para filhos, acrescentando "com todo o orgulho de médica" que "no ano passado o programa não teve uma única criança nascida com o vírus de mãe seropositiva".

Além do trabalho de combate ao VIH, o júri do prémio Klaus-Hemmerle, instituído pela organização cristã Movimento Focolar, destacou a capacidade de conciliação inter-religiosa de Noorjehan Magid que, enquanto muçulmana, tem trabalhado lado-a-lado com a congregação católica de Sant'Egídio.

"É uma comunidade católica e nós nunca tivemos choques inter-religiosos entre nós. Lá interessa saber de que religião você é por uma questão de respeito. Mesmo a relação com os meus pacientes é de respeito: eles têm diferentes religiões e crenças mas nunca nos afastou daquilo que é o nosso objetivo", explicou.

A médica moçambicana acredita que o prémio "é uma esperança para o povo moçambicano porque traz a confiança de que podemos erradicar esta doença".

Noorjehan Magid referiu que depois de passada a "fase de emergência", a comunidade vai focar-se no tratamento de patologias desenvolvidas por pacientes seropositivos como a hipertensão, diabetes, colesterol, cancro.

O programa DREAM trata cerca de 35 mil pacientes infectados com o VIH em Moçambique, incluindo 3 mil crianças. Noorjehan Magid referiu ainda que, desde o início projeto, nasceram em Moçambique 17 mil crianças livres do vírus.

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