“São verbas assustadoras no sentido da necessidade que as pessoas têm”, disse Vítor Rodrigues, que falava a propósito do peditório nacional da Liga Portuguesa Contra o Cancro, que tem início na quinta-feira e termina no domingo.

Segundo o presidente da Liga, metade das verbas angariadas no peditório são para apoiar o doente oncológico e a família: “são verbas altas, mas que refletem infelizmente a situação que temos em termos do nosso país”.

“Temos uma percentagem muito apreciável da população que necessita dessas verbas, inclusive para medicamentos, para deslocações e muitas vezes para alimentação”, disse Vítor Rodrigues.

“Não conseguimos acabar tudo, é evidente, mas pelo menos podemos minorar a situação e tornar mais fácil o dia-a-dia das pessoas”, sustentou.

Questionado pela Lusa se tem vindo a crescer os pedidos de ajuda, o médico afirmou que sim, ressalvando, contudo, que este aumento também se deve ao facto de as pessoas terem conhecimento deste apoio.

“Há realmente uma necessidade clara muito grande, mas o facto de as pessoas saberem cada vez mais que temos esse tipo de apoio faz com que haja mais pedidos”, explicou.

Por outro lado, adiantou, também “há um fenómeno relacionado com os anos anteriores de alguma pobreza envergonhada de camadas da população que antes estavam mais ou menos bem e que por vários motivos têm neste momento dificuldades substanciais”.

“Muitas pessoas não sabem que quando têm doenças oncológicas podem pedir ajuda ao Estado e estou a falar por exemplo do atestado médico de incapacidade multiuso que pode ser o ponto de entrada para os direitos dos doentes oncológicos relativamente ao próprio Estado”, sublinhou.

Vítor Rodrigues explicou que, a partir do momento, em que o doente oncológico tem o diagnóstico deve dirigir-se ao centro de saúde da sua área de residência e requerer uma junta que poder ter acesso ao conjunto de direitos promovidos pelo Estado.

O peditório da LPCC irá decorrer em todo o país em locais distintos como superfícies comerciais, igrejas, cemitérios, alguns estádios de futebol e principais ruas de diferentes cidades, sob a orientação dos respetivos Núcleos Regionais da LPCC - Norte, Centro, Sul, Açores e Madeira.

“Esta iniciativa constitui a mais importante fonte de financiamento da instituição, nomeadamente para dar resposta aos cada vez mais frequentes pedidos de apoio que permitem que a LPCC continue a levar a cabo a sua missão”, sublinha a Liga.

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