“A nossa perspetiva é aproximarmo-nos da comunidade para que consigamos diagnosticar mais cedo algumas doenças e para que possamos tratá-las em fases mais iniciais, o que é bom para a saúde da própria pessoa, para o próprio sistema e para o próprio hospital”, disse à Lusa o diretor clínico do Hospital Garcia de Orta, Nuno Marques.

A iniciativa chama-se “O hospital está no bairro” e realizou-se hoje pela primeira vez em Vale de Chícharos, mais conhecido como Bairro da Jamaica, entre as 10:00 e as 18:00, fornecendo consultas de hipertensão e diabetes, saúde da mulher, materno-infantil, higiene oral ou de doenças infecciosas.

Segundo o responsável, este bairro foi o escolhido porque o hospital tem verificado que existe “algum atraso de diagnóstico de doenças crónicas” neste tipo de comunidades com carências e com elevado número de imigrantes, o que faz com que, por vezes, os médicos tenham “dificuldade em dar alta aos utentes porque não estão totalmente legalizados”.

Também o presidente do conselho de Administração do Garcia de Orta, Luís Amaro, indicou que esta é uma forma de “abrir” o hospital à comunidade e de “descentrar a perspetiva curativa” para uma perspetiva “de promoção da saúde e de prevenção da doença”.

A agência Lusa falou com quatro moradores presentes nesta iniciativa e todos receberam bem a ideia de ter o hospital no bairro, tendo participado em vários dos rastreios disponíveis.

“Eu acho bem, é uma boa iniciativa e podemos ver se temos algum problema de saúde com os rastreios que estão aqui a fazer aos problemas no coração, colesterol ou doenças infecciosas”, referiu Lopes Tavares, de 59 anos.

Também Lucrécia do Espírito Santo, de 51 anos, mencionou que este projeto “facilita as pessoas que não vão ao centro de saúde”, tendo percebido através da medição da tensão arterial que a sua não estava normal.

Já Maria, de 48 anos, pediu ao hospital para “repetir sempre” esta iniciativa, lembrando a necessidade de um hospital no Seixal, uma vez que o Garcia de Orta se localiza no concelho vizinho de Almada.

“Para mim mais perto era melhor, porque agora só temos o Garcia de Orta. Eu vou lá muitas vezes e tenho de pagar o valor de praticamente três transportes. Vou lá sempre porque fiz um tratamento, tirei o peito e estou sempre a gastar o que não tenho”, frisou.

O presidente da Câmara do Seixal, Joaquim Santos, aproveitou a visita da ministra da Saúde, Marta Temido, para relembrar a importância da construção de um hospital neste concelho.

“Passaram mais de quatro anos de um Governo e nem sequer o projeto de execução foi adjudicado. A senhora ministra comprometeu-se a reunir-se connosco, mas a verdade é que é preciso mais celeridade e continua a ser uma reivindicação nossa e da população. A câmara reforça o seu investimento para a construção do hospital, por isso, temos os dinheiros, estamos a aguardar que o projeto seja adjudicado para que depois seja lançado o concurso”, explicou.

Marta Temido falou com os profissionais e moradores participantes nesta iniciativa, tendo referido aos jornalistas como esta é uma atividade “na área da promoção da saúde e da prevenção da doença”.

Segundo o presidente do conselho de administração do Hospital Garcia de Orta, “O hospital está no bairro” repete-se este sábado em Vale de Chícharos e, daqui a dois meses, no bairro do Pica-pau Amarelo, em Almada.

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