“Com este novo sistema, conseguimos ter um registo das ondas cerebrais relacionadas com os sintomas da doença – as ondas beta – e, portanto, sabemos quando é que o doente tem mais ou menos ondas, adaptando o tratamento a essas alturas. De algum modo, individualizamos o tratamento”, afirmou hoje Rui Vaz, neurocirurgião do CHUSJ responsável pelo procedimento.

Em declarações à agência Lusa, o médico explicou que o novo dispositivo associa a “direcionalidade” já existente à “capacidade de receber informação sobre as ondas cerebrais” relacionadas com os sintomas da doença, permitindo dar resposta às necessidades dos doentes e dos clínicos.

“O problema é conseguirmos tratamento que se adapte à variabilidade ao longo do dia, ou seja, aquilo que se chama passar do tratamento da doença para o tratamento do doente”, disse.

O novo dispositivo, que funciona como “um diário eletrónico”, é mais um “passo” na melhoria do tratamento dos doentes com Parkinson.

“O dispositivo vai com o doente para casa e quando o doente vem à consulta revemos o registo todo, e aí podemos melhorar a estimulação que estamos a dar”, referiu Rui Vaz.

Depois da doença de Alzheimer, o Parkinson é doença neurodegenerativa mais comum, afetando cerca de 20 mil portugueses.

A doença de Parkinson resulta da redução dos níveis de dopamina, uma substância que funciona como um mensageiro químico cerebral nos centros que comandam os movimentos, sendo quatro os sintomas que se destacam: lentidão de movimentos, rigidez muscular, tremor e alterações da postura.

A cirurgia de implantação do dispositivo, que decorreu esta manhã no Hospital de São João, é semelhante à da estimulação cerebral profunda, não acarretando “nenhum risco acrescido para o doente”, assegurou o neurocirurgião.

“Isto é uma melhoria no tratamento, uma vez que o sistema é um ‘upgrade’ em relação ao tratamento”, referiu, acrescentando que todos os doentes com Parkinson são elegíveis a receber o dispositivo.

“Não há nenhuma limitação”, referiu Rui Vaz.

Depois do Hospital Universitário de Wurzburg, na Alemanha, e do Hospital Universitário Grenobles Alpes, em França, o Hospital de São João foi a terceira unidade hospitalar do mundo a implantar este dispositivo.

A tecnologia ainda está a ser avaliada pela Food and Drug Administration (FDA) para ser lançada nos Estados Unidos, sendo que a Europa foi “pioneira” na sua utilização.

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