“O nosso objetivo é negociar e não decretar greves, mas queremos uma negociação séria e justa que abranja as matérias que são fundamentais para os enfermeiros”, declarou Carlos Ramalho à agência Lusa.

Segundo o dirigente do Sindepor, as negociações que estão em curso são meramente técnicas, com a Administração Central do Sistema de Saúde, e não abrangem a questão da carreira de enfermagem nem o descongelamento das progressões.

“Exigimos uma ronda negocial política, com o Ministério da Saúde, que contemple as matérias fundamentais para os enfermeiros”, explicou Carlos Ramalho, a propósito da greve que o Sindepor marcou para entre 2 e 30 de abril.

O Sindepor é até ao momento o único entre a meia dúzia de sindicatos de enfermeiros a convocar esta greve de quase um mês de duração.

“Praticamente foi-nos exigido que não desistíssemos de lutar pelos cerca de 20 mil enfermeiros que participaram na marcha pela enfermagem no dia 8 de março”, justificou Carlos Ramalho.

Questionado sobre as dificuldades que os profissionais poderão sentir por ficarem quase um mês sem salário caso adiram à greve, o dirigente do Sindepor admite a possibilidade de os enfermeiros se organizarem "para haver rotatividade em termos de adesão”.

Contactada pela agência Lusa, a presidente da Associação Sindical Portuguesa dos Enfermeiros (ASPE), Lúcia Leite, considera que não é oportuno avançar neste momento para uma greve.

A ASPE, que em conjunto com o Sindepor convocou as duas greves cirúrgicas dos enfermeiros, entende que é “preciso dar espaço para alguma paz social”, recordando que se estão a iniciar negociações.

“Devemos perceber os passos que o Governo vai dar e dar pelo menos alguma margem e algum espaço para negociação. A greve não é um fim em sim mesmo”, afirmou Lúcia Leite, sublinhando, contudo, que a ASPE dará apoio a qualquer um dos seus associados que decida aderir à paralisação.

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