Olga Marques, do Instituto de Socorros a Náufragos (ISN), explica que um agueiro é um "fenómeno natural identificado" que torna a "corrente marítima demasiado forte para lutar contra ela", sendo por isso importante reconhecer a situação e evitá-la ou, caso contrário, "nadar ao longo da costa" e "flutuar e pedir ajuda".

"O problema é que, num agueiro, mal as pessoas levantam os pés, são logo arrastadas. O perigo é maior para quem não sabe nadar porque, normalmente, a pessoa entra em pânico e esquece-se de pedir ajuda. O importante é flutuar e pedir ajuda. Quanto a quem sabe nadar, a tendência das pessoas é nadar contra a corrente, o que é impossível num agueiro e a pessoa acaba por perder as forças", descreveu a subtenente do ISN. 

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Como identificar um agueiro?

Olga Marques admite que lidar com um agueiro não é algo que habitualmente se explique em aulas de natação para quem aprende a nadar. De acordo com a subtenente, a identificação de um agueiro começa, desde logo, pela "mudança da tonalidade da água": nos sítios onde se formam agueiros, a água fica com uma "tonalidade acastanhada e com espuma", devido à "agitação das areias".

Para além disso, trata-se de uma zona onde "a ondulação é quase nula", quando mesmo ao lado há mais ondas, criando uma "falsa sensação de acalmia", que leve a que o local seja aquele onde há "a tentação de a pessoa entrar". "Quando as ondas rebentam e fazem o retorno ao mar, formam uma espécie de canal com uma corrente muito forte para o mar. A tendência das pessoas é nadar contra a corrente, o que é impossível", explica.

Por isso, a opção é "deixar-se levar pela corrente porque, à medida que se vão distanciando da costa, a corrente vai perdendo intensidade", descreve a responsável do ISN. Para além disso, os banhistas "devem nadar paralelamente à costa para fazer o retorno para a praia". Molhar os pés num agueiro não é problema, mas "mal a pessoa levanta os pés, é logo arrastada".

A responsável do ISN esclarece que existem "agueiros súbitos, sobretudo em alturas de troca de marés e, nesses casos, é muito difícil identificá-los", indicando que eles podem surgir em sítios onde não está hasteada a bandeira vermelha, isto quando existem praias vigiadas e se está durante a época balnear.

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Existem outros agueiros que são fixos, que "podem ou não estar no mesmo local" da praia, mas "nas praias vigiadas existe sinalética própria para os identificar", acrescenta a responsável.

Mortes por afogamento

Segundo os dados da Organização Mundial da Saúde, 372.000 pessoas morrem no mundo por afogamento todos os anos.

Mais de metade das mortes por afogamento ocorrem em pessoas com idades abaixo dos 25 anos, sendo aliás uma das 10 principais causas de morte no mundo até essa idade.

No sexo masculino a probabilidade de afogamento é duas vezes superior.

Quanto aos fatores de risco, as taxas mais elevadas de afogamento encontram-se entre as crianças de 1-4 anos de idade. No caso das crianças, os principais locais de afogamento são as piscinas (28%), seguidas das praias (22%), tanques e poços (22%) e os rios ribeiros e lagoas (22%).

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