"Não consigo acalmá-la", conta à AFP a italiana Ombretta, professora universitária, que precisa da ajuda da equatoriana para cuidar da mãe idosa na pequena cidade da Lombardia, norte de Itália, país que se tornou 'exportador' do vírus para a maioria dos países europeus, Brasil e Nigéria.

Desde o último fim de semana, cerca de 50.000 habitantes foram isolados na região norte por ordem das autoridades devido ao surto de coronavírus, que já infectou mais de 650 pessoas e fez 17 mortos.

Como a equatoriana, muitos latino-americanos residentes em Itália sentem pânico perante uma situação que nunca experienciaram.

"O medo sente-se entre as pessoas. A cidade está vazia, as pessoas temem contacto físico e as poucas que circulam usam luvas e máscaras", diz a venezuelana Grecia Fermín, de 39 anos, que vive há 13 em Itália, dos quais cinco em Milão, capital da Lombardia.

Embora não esteja na zona de alto risco, Fermín precisou assinar uma declaração e preencher um formulário para receber na quinta-feira tratamento fisioterapêutico que tinha marcado.

"Fizeram-me lavar as mãos e declarar que não tinha gripe ou tosse, nem sintomas de coronavírus", conta.

Embora já tenham passado seis dias e as pessoas pareçam um pouco mais calmas, a venezuelana não quer mais ver televisão.

"Chega de televisão. Espero que os bares reabram amanhã. A medida é exagerada. Parece que estamos em guerra", lamenta após ter perdido vários trabalhos devido ao cancelamento das feiras e eventos.

Sem trabalhar

A peruana Zeila, de 66 anos, trabalha em Itália há 28 anos e chegou há quatro dias do Peru.

Como reside a meia hora de Casalpusterlengo, outra cidade isolada, decidiu isolar-se.

"Estou constipada porque estava calor no Peru e aqui faz frio. Decidi não sair de casa", confessa. "Desde que soube que detectaram o vírus em outros países europeus, estou um pouco mais tranquila. Parece que não é tão mortal", aponta.

Ficou surpreendida ao ver produtos de limpeza e alimentos "esgotados", mesmo que os supermercados estejam abertos.

Como todo as pessoas, espera alguma indemnização ou benefício fiscal, especialmente porque muitos jovens latino-americanos que trabalham na entrega de pacotes para a Amazon, que tem uma sede na vizinhança, perderam horas de trabalho.

"Não vou trabalhar e o meu sobrinho não sai porque está ligado ao computador", admite.

A turista colombiana Johana Torres, que mora em Espanha, mas passou férias em Roma, usa máscara, mesmo que ainda não seja obrigatória.

"Decidimos comprar as máscaras no aeroporto. Estamos um pouco assustados. Mas quando estamos num aglomerado e há muitas pessoas, tentamos colocar as máscaras", explica.

"Vamos ficar três dias e queremos aproveitar", diz enquanto caminha pelo Coliseu.

Para Josué Mejía, da Guatemala, o importante é "ter cuidado". Traz consigo máscaras e gel desinfetante.

"Consegui comprá-los na terceira farmácia. Viemos da Guatemala e também iremos para França. Como vamos estar num sítio onde há muitas pessoas, decidimos usar máscaras como precaução", confessa.

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