Em causa está, segundo Rui Marroni, do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), “o agravamento das condições de prestação de saúde aos utentes” nas unidades que integram o CHO (Hospitais das Caldas da Rainha, Peniche e Torres Vedras) e “a falta de recursos, quer ao nível de enfermagem quer de médicos em alguns serviços”.

Enfermeiros, representantes de movimentos cívicos e eleitos de vários partidos políticos, concentrados em frente ao hospital, contestaram “a situação caótica que se vive nos serviços de urgência” do Hospital das Caldas da Rainha, onde sustentam não haver “adequada dotação das equipas de enfermagem e de outros profissionais”, gerando “uma sobrecarga de trabalho” que coloca em risco “a segurança dos cuidados prestados”.

Os enfermeiros acusam a administração hospitalar de agudizar a situação por “não ter cumprido o compromisso de abertura de mais dez camas no Hospital de Peniche”, para onde deveriam ser transferidos os utentes das urgências que não tivessem lugar no serviço de internamento.

Falta de médicos e enfermeiros a recibo verde

As críticas estendem-se ainda à relação contratual com 35 enfermeiros, contratados através de uma empresa externa, que, a partir de dezembro, passarão ao regime de recibo verde, e à falta de médicos em especialidades como a psiquiatria, obstetrícia e ortopedia.

Em resposta às acusações do SEP, o conselho de Administração do CHO esclareceu hoje que “tem desenvolvido ações para garantir a contratação de médicos para o quadro de pessoal” mas que, das 75 vagas abertas desde 2013, “apenas 16 foram ocupadas”, não tendo havido candidaturas para as restantes.

Aos jornalistas, o administrador do CHO, Carlos Sá, adiantou que, além dos concursos a decorrer para a contratação de médicos psiquiatras (devido à exoneração da única médica do serviço), já foi assinado pelo secretário de Estado da Saúde “um despacho que permite contratar obstetras a outras empresas”, o que permitirá aumentar a equipa de 11 médicos para mais quatro.

Garantiu ainda que as dez camas para internamento de doentes urgentes “estão colocadas e prontas a funcionar”, mas que não houve ainda “necessidade de usar esta solução de recurso, porque o número de doentes a isso não obrigou”.

Tanto mais que, segundo o ACHO, o número de episódios de urgência diminuiu este ano 8,9% em relação a 2013, o que representa, por exemplo, em relação ao mês de novembro dos dois anos em causa – de 2013 para 2014 -, uma descida de 2958 para 2707 doentes assistidos nas urgências.

Carlos Sá refutou igualmente as críticas em relação aos 35 enfermeiros subcontratados, sublinhado que “o CHO é alheio às condições contratuais e ao valor pago aos enfermeiros”, tanto mais que a instituição “não alterou” as condições estabelecidas com a empresa, “mantendo o pagamento de 10,35 euros hora”.

A vigília dos enfermeiros vai manter-se ao longo de todo o dia apesar de, dos cerca de 40 manifestantes iniciais, apenas menos de uma dezena se encontrarem no local durante a tarde.

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