A ideia partiu da médica neurologista do Hospital de Braga Ana Margarida Rodrigues, que mobilizou os seus doentes para a formação da orquestra ParkinSound e que depois vai avaliar os impactos do projeto, seja em termos motores, seja em termos da qualidade de vida em geral.

“Por todo o mundo se investigam tratamentos complementares para uma doença que se sabe que não tem cura e que continua sempre a progredir, mas que pode avançar mais devagar. Vamos ver como a música pode ajudar”, disse Margarida Rodrigues à Lusa.

No dia 08 de outubro, a ParkinSound apresenta-se ao público, num concerto de 45 minutos em que serão apresentados quatro temas originais.

As letras são assinadas pelos doentes com Parkinson, que deixam mensagens díspares, desde o sofrimento à resiliência, mas que querem mostrar que não é a doença que os impede de criar e de sonhar.

“Há aqui uma grande vontade de desestigmatizar a doença”, sublinha Margarida Rodrigues.

Os 25 doentes têm entre os 26 e os 80 anos, vão assegurar as vozes e tocar percussão, sintetizadores, saxofones, piano, guitarra e “campainhas de porta”.

“A orquestra é toda deles e só deles”, refere Pedro Santos, que assume a direção artística do projeto e assina as melodias, sempre bebendo inspiração nas letras criadas pelos doentes.

Pedro Santos diz que há na orquestra gente com muita “escola” musical, como um baterista “muito conhecido” em Braga e um professor de música, a par de outra que “não conhece uma única nota”.

Há também gente “com ritmos diferentes”, de acordo com o respetivo estádio da doença.

“Mas é em toda esta diversidade que está muito do encanto da orquestra. Uns mais lentos, outros com mais velocidade, mas no fundo todos no mesmo compasso”, assegura.

Para o presidente da Câmara de Braga, Ricardo Rio, a orquestra ParkinSound “é um projeto único e inovador a nível mundial”, que surge no âmbito da candidatura da cidade a Capital Europeia da Cultura 2027 e da Estratégia Cultural de Braga 2020–2030.

“É uma iniciativa que procura promover a integração cultural e social de pessoas com doença de Parkinson através da música. Temos plena consciência de que a cultura é o motor de diversas dinâmicas, nomeadamente da inclusão”, refere o autarca.

Lembrando que se trata de uma doença que ainda não tem cura e que limita fisicamente, Ricardo Rio sublinha que a ideia é que, através da música, aquelas pessoas sejam “transportadas para um mundo repleto de sentimentos, inspiração e talento”.

“À primeira vista, os efeitos positivos na vida destas pessoas são já inegáveis, mas a ciência e o tempo o dirão”, rematou.

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