A formação faz parte do projeto “Capacitar Cuidadores Informais”, que está a ser desenvolvido desde 2013 no Serviço de Medicina I do Hospital de Santa Maria (Centro Hospitalar Lisboa Norte) e que envolveu até agora 91 doentes e 91 cuidadores.

A maior parte dos cuidadores eram filhas e cuidadores particulares, com idades entre os 50 e os 65 anos, e em 85% dos casos viviam na casa do doente, disse hoje à agência Lusa a enfermeira Paula Morais, mentora do projeto.

O projeto nasceu para ensinar os cuidadores “a melhorar os cuidados ao doente” após a alta, mas também facilitar uma melhor qualidade de vida ao próprio cuidador.

“No serviço de Medicina temos vários doentes que têm necessidades de alguns cuidados após a alta e ao longo dos anos verificámos que os cuidadores informais não tinham informação sobre como satisfazer as suas necessidades após a alta”, explicou.

Entrevista com o cuidador para ensinar práticas

O processo começa quando o doente é internado no Serviço de Medicina I: “Nós temos uma média de internamento de seis dias e quando o doente entra começamos logo a preparar a alta” e, “consoante o diagnóstico do doente, ligamos para a família para saber quem cuida diretamente do doente e perceber quais as dificuldades que tem no domicílio”.

Após esse contacto é marcada uma entrevista, em que o cuidador é questionado sobre questões práticas, como a disposição da cama ou da mesinha de cabeceira no domicílio, sendo a formação assente nessas questões para evitar algumas dificuldades quando o doente tem alta.

Além da capacitação nas atividades de vida diária à pessoa dependente, é também ensinado aos cuidadores como alimentar o doente com uma sonda e exercícios respiratórios para os doentes que sofreram um AVC.

Após a alta, é contactada a Unidade Funcional dos Agrupamentos dos Centros de Saúde (ACES) para continuidade de cuidados e é realizado um contacto com o cuidador após 24 a 48 horas para avaliar a situação do doente.

Nesse telefonema, Paula Morais questiona o cuidador sobre o que “ganhou com a ajuda” que recebeu durante o internamento do doente.

“Verificámos que de todos os doentes que iniciámos neste projeto nenhum foi reinternado por um motivo de exaustão do cuidador ou outro tipo” de motivos, adiantou.

Já nos cuidadores, o que verificávamos nalguns foi a má postura, que se tentou corrigir. “A mecânica corporal é essencial ao cuidador para poder ajudar o doente e foi aí que houve uma grande melhoria, tanto para o cuidador como para o doente”, salientou.

Desde 2013, foram realizados 412 ensinos, a maioria (302) de treino de atividades da vida diária, o que, segundo a enfermeira, indica o número elevado de pessoas dependentes no hospital.

Ao longo do projeto, Paula Morais foi fazendo folhetos informativos com os cuidados a ter em várias áreas que deram origem ao “Guia do Cuidador Familiar”, que é lançado hoje com o objetivo de “reforçar o trabalho” desenvolvido no serviço e para poder chegar a mais cuidadores.

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