“Há uma situação que configura um quadro clínico pelo menos parecido ao que tem sido reportado, o que é absolutamente normal. Trata-se de uma situação semelhante. Não dispomos ainda de uma avaliação completa que permita aferir se se trata de um caso da doença inflamatória grave que afeta crianças”, disse Graça Freitas, questionada pela Lusa, na conferência de imprensa diária para fazer o balanço epidemiológico da COVID-19 em Portugal.

Na quarta-feira, a diretora-geral da Saúde disse que até esse dia não tinha sido registado nenhum caso em Portugal.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) está a investigar possíveis ligações entre a COVID-19 e uma doença inflamatória grave que afeta crianças, mas afirmou que, por enquanto, se trata de casos "muito raros".

De acordo com a responsável da Direção-Geral da Saúde, é preciso “esperar para ver outros parâmetros” de análise da situação. “Isto é absolutamente normal. Não há motivo para, na literatura médica, aparecer um reporte de casos em idade pediátrica e em Portugal, há medida que temos mais casos, não aparecerem casos”, observou.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) está a investigar possíveis ligações entre a COVID-19 e uma doença inflamatória grave que afeta crianças, mas afirmou que, por enquanto, se trata de casos "muito raros".

Maria João Brito, responsável pela Unidade de Infecciologia do Hospital Dona Estefânia, a unidade de referência para a covid-19 em idade pediátrica, pertencente ao Centro Hospitalar Lisboa Central, disse na quarta-feira à agência Lusa que, "há duas, três semanas", os colegas espanhóis, ingleses, e mais tarde os italianos, reportaram o aparecimento de alguns casos de crianças e adolescentes com este quadro clínico.

A infeciologista explicou que "o síndroma de choque tóxico é provocado por umas bactérias muito agressivas e a doença de Kawasaki é uma doença que não se conhece a causa", mas que "se pensa ser desencadeada por um agente infeccioso em que há uma inflamação imensa de todos os órgãos que podem realmente levar a lesar os órgãos. Os casos relatados "são quadros clínicos que têm características de um lado e de outro", mas tem outra "característica muito diferente", apresenta "uma percentagem importante com envolvimento abdominal".

À medida que vão aparecendo mais casos de infeção começam a aparecer "formas raras da apresentação da doença". "O que parece que acontece nesta forma de COVID é que há uma desregulação imunológica face a uma infeção, que neste caso é a OVID-19, e há uma resposta desadequada do nosso sistema imunológico", disse a médica, explicando: "A imunidade do nosso corpo em vez de nos proteger ataca as nossas células".

De acordo com a especialista, quase todos os casos necessitam de cuidados intensivos. Esclareceu ainda que "o quadro clínico destes doentes não passa despercebido, o que leva a que as pessoas vão ao hospital", porque começam com febre muito alta que não baixa e "a criança fica com um ar muito doente".

Alerta partiu do Reino Unido

Associações de pediatria do Reino Unido, da Itália e de Espanha pediram aos médicos para estarem atentos a crianças que apresentem uma condição inflamatória rara porque a doença pode estar ligada ao novo coronavírus, que provoca a doença COVID-19. O primeiro alerta para esta situação partiu, no início da semana, da Associação de Pediatras de Cuidados Intensivos do Reino Unido, mas foi, entretanto, secundada pela Associação Espanhola de Pediatria e pela Sociedade Italiana de Pediatras.

Segundo as autoridades do Reino Unido, “nas últimas três semanas houve um aumento aparente, em Londres e também em outras regiões do Reino Unido, do número de crianças de todas as idades com um estado inflamatório multissistémico que requer cuidados intensivos”.

Os hospitais ingleses relataram alguns casos que apresentavam características da Síndrome do Choque Tóxico ou da Doença de Kawasaki, um distúrbio raro dos vasos sanguíneos.

Destes casos, apenas algumas crianças tiveram resultado positivo para COVID-19, portanto, os cientistas não têm certeza se esses sintomas raros são causados pelo novo coronavírus ou por outra coisa.

Entretanto, a Associação Espanhola de Pediatria emitiu um aviso semelhante, alertando os pediatras de que, nas últimas semanas, houve várias crianças em idade escolar que apresentaram “um quadro invulgar de dores abdominais, acompanhadas de problemas gastrointestinais” que podem levar, em poucas horas, a um choque, com queda da pressão arterial e problemas cardíacos.

Também os pediatras italianos foram avisados da mesma preocupação pela Sociedade Italiana de Pediatria.

Os sintomas da Kawasaki incluem febre alta que dura cinco dias ou mais, erupções cutâneas e glândulas inchadas no pescoço.

Até agora, as crianças estão entre o grupo menos afetado pelo coronavírus. Dados de mais de 75.000 casos na China mostraram que os mais novos representavam 2,4% de todos os casos e apresentavam apenas sintomas leves.

Portugal regista hoje 989 mortos associados à COVID-19, mais 16 do que na quarta-feira, e 25.045 infetados (mais 540), indica o boletim epidemiológico divulgado hoje pela Direção Geral da Saúde. Comparando com os dados de quarta-feira, em que se registavam 973 mortos, hoje constatou-se um aumento de óbitos de 1,6%. Relativamente ao número de casos confirmados de infeção pelo novo coronavírus (25.045), os dados da DGS revelam que há mais 540 casos do que na quarta-feira, representando uma subida de 2,2%.

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