Desde que foi criada, em março de 2021, para dar resposta aos doentes com sequelas graves, a clínica realizou 3.082 consultas médicas e de enfermagem e acompanhou 1.199 doentes, a maioria (60%) mulheres, disse à agência Lusa o responsável pelo serviço, Miguel Toscano Rico.

Ao longo do tempo, a gravidade dos sintomas não tem sido igual por causa do vírus SARS-Cov-2, que tem vindo a ter formas progressivamente mais atenuadas, e pelo efeito da vacinação.

“A gravidade dos doentes que nos chegam hoje, de uma maneira geral, se estiverem vacinados e tendencialmente infetados com estas estirpes menos agressivas, a prevalência de manifestações e de condições pós-COVID tem sido mais pequena” em termos de frequência e de expressão de gravidade.

O especialista em Medicina Interna advertiu, contudo, que devido à imprevisibilidade das mutações do vírus, “que poderá sempre trazer surpresas”, é preciso manter “uma certa flexibilidade e adaptabilidade dos recursos nestes cenários”.

Durante as primeiras vagas, em que as taxas vacinais ainda eram “pouco expressivas”, alguns pacientes ficaram com “sequelas graves”, havendo casos de doentes que eram saudáveis e acabaram por fazer transplante pulmonar, mas "a progressão e a resposta à medicação foi razoavelmente boa e houve bastantes doentes que recuperaram".

No entanto, observou, "um em cada cinco ainda continua a ser seguido".

Segundo o médico, um número "razoavelmente expressivo" de doentes (cerca de 10%) ficaram com manifestações, essencialmente de memória, outros com alterações da força muscular, doença reumatológica e alguns ainda não recuperaram totalmente o olfato e o paladar passados dois anos.

Os doentes são referenciados para a clínica pelos serviços de internamento e consultas de especialidade do CHULC e também pelos médicos de família, que continuam a reencaminhar “bastantes doentes”, muitas vezes, porque não sabem o que se está a passar com a pessoas e acham que "é uma forma tardia de COVID-19".

Fazendo um balanço do serviço, Miguel Toscano Rico disse que foi “um desafio muito grande”, particularmente no início, em que “era um livro aberto”.

“Tivemos um desafio grande no arranque de uma estrutura nova, não só de diagnóstico, mas de tratamento e de acompanhamento e isso foi muito enriquecedor”, disse, considerando que também é um “bom serviço para os doentes”.

Por outro lado, foi “um ponto de aprendizagem para muitas coisas” que vão ser agora utilizadas noutras doenças.

"O caudal de doentes que verdadeiramente têm condições pós-COVID ultimamente tem vindo a diminuir, mas nós criámos uma estrutura de telemonitorização, de telemedicina e de telerreabilitação” que deverá ser enquadrada numa estrutura maior, para acompanhar “um grupo razoavelmente grande” de doentes crónicos, que consomem mais recursos, têm mais idas à urgência e internamentos mais prolongados.

Estes doentes vão ser acompanhados remotamente com os equipamentos desenvolvidos para a COVID-19 para intervir nas fases mais precoceS das agudizações destas doenças crónicas.

“Os doentes que ficaram com condições pós-COVID, bastante limitados, ficam acompanhados por nós também nesta valência um bocadinho maior que vai acompanhar outros grupos de doentes também”, adiantou o médico do Centro Hospitalar Lisboa Cental, onde estiveram internados, entre março de 2020 e 03 de novembro de 2022, 7.164 doentes com COVID-19, dos quais 1.129 em cuidados intensivos.

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