Estas são algumas condições que todos precisam de garantir antes de levantar restrições ao movimento das populações, afirmou hoje o diretor regional para a Europa, Hans Kluge, que avisou que “não há caminho rápido para voltar à normalidade”.

Em conferência de imprensa na sede regional da organização, em Copenhaga, Hans Kluge afirmou que se vivem tempos de “incerteza e complexidade”, em que se precisará “de ajustar medidas rapidamente, introduzir e retirar restrições e levantá-las gradualmente”.

Hans Kluge avisou que apesar de a Primavera ter chegado à Europa, ainda se está “no meio de uma tempestade” em que o “impacto total” da pandemia ainda não atingiu alguns países, enquanto em outros desce o ritmo de aumento de novas infeções.

Mais de 84.000 pessoas morreram na Europa e em dez dias, o número de casos na região “quase duplicou para mais de um milhão”, afirmou.

A OMS definiu um roteiro para o regresso à normalidade que será divulgado na próxima semana com seis critérios principais destinados aos 53 países da região europeia, que devem ser garantidos à partida antes de se levantarem restrições aos movimentos das populações.

Hans Kluge afirmou que vão ser discutidos na sexta-feira com os ministros da Saúde europeus e que se não puderem ser garantidos, os países “devem repensar” o levantamento de medidas restritivas.

A transmissão precisa de estar controlada e os sistemas de saúde, incluindo os hospitais, precisam de garantir a identificação de casos suspeitos da covid-19, o seu isolamento, testes, rastreio de contactos e quarentena.

Surtos de covid-19 em locais onde as pessoas estão mais vulneráveis, como lares de idosos ou instituições de saúde mental precisam de ser minimizados e os locais de trabalho têm que ter condições para o distanciamento social, limpeza de mãos frequentes e etiqueta respiratória, considera a OMS no seu roteiro para o regresso a alguma normalidade.

“Os riscos de importação [de casos] têm que poder ser geridos e as comunidades devem ser ouvidas e estar envolvidas nas transições”, acrescentou.

Este roteiro para o regresso à normalidade não é “tamanho único”, salientou, mas define critérios comuns para os 53 países contemplados.

“Quaisquer passos na transição para um novo normal devem ser orientados por princípios de saúde pública”, recomendou, afirmando que “a covid-19 não perdoa” e que profissionais de saúde “treinados, equipados e protegidos, a pandemia varre comunidades”, destruindo vidas e modos de vida.

Hans Kluge recomendou aos países europeus que “observem, aprendem e escutem” a partir das experiências uns dos outros, especialmente os que começam a levantar restrições.

A nível global, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 133 mil mortos e infetou mais de dois milhões de pessoas em 193 países e territórios. Mais de 436 mil doentes foram considerados curados.

Em Portugal, de acordo com o balanço mais recente de quarta-feira divulgado pela Direção-Geral da Saúde, morreram 599 pessoas das 18.091 registadas como infetadas.

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