“Assumimos que o máximo de casos seja esperado para a primeira semana ou para a segunda semana de janeiro”, avançou o especialista na reunião do Infarmed, em Lisboa, explicando que estes dados são baseados em cenários.

Por outro lado, para cada pessoa infetada haverá três que vão necessitar de estar em quarentena, faltando ao trabalho ou à escola, apontou o investigador do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA).

Com base nas simulações matemáticas e que assumem um cenário de menor perda de proteção da vacina até ao cenário de perda de proteção, o INSA estima um número de novas infeções “muito elevado”, entre 40 mil a 130 mil, no pico esperado para o início de janeiro, com um subsequente aumento também “muito elevado” do número de pessoas em isolamento.

“Nós podemos assumir que o total de pessoas que podem estar isoladas em quarentena pode variar entre 4 % da população a cerca de 12 % da população”, um valor que pode ser observado ou “na semana atual ou na segunda semana de janeiro”, salientou Baltazar Nunes na reunião que reúne peritos, políticos, membros do Governo e o Presidente da República para analisar a situação epidemiológica no país.

Baltazar Nunes recordou quem, em setembro de 2021, numa reunião no Infarmed, o INSA apresentou três cenários prováveis para o outono/inverno.

“O terceiro cenário era aquele que nós supúnhamos que havia uma perda de proteção da vacina com o tempo e que surgia uma nova variante do SARS-CoV- 2 em dezembro. Era esperado, foi o que aconteceu no ano passado e neste momento é esse o cenário que temos entre mãos”, salientou.

Contudo, observou, há fatores diferentes na variante Ómicron, relativamente a uma variante que na altura se podia esperar com a mesma gravidade da Delta, que têm que ser levados em consideração agora nos cenários para se poder projetar o que é esperado para os meses próximos.

Considerou-se então que há um aumento dos contactos em dois momentos: no Natal, mais cerca de 25% relativamente ao aumento considerado no período homólogo, e um aumento inferior durante o Ano Novo de 15%, assumindo-se neste caso que algumas das medidas que foram implementadas neste período fizeram reduzir os contactos relativamente ao aumento de contactos observados no Natal.

“Consideramos também que a vacina perde o seu efeito com o tempo e que há uma proteção média de um ano para a população com 65 e mais anos e de dois anos para a população com menos de 65 anos” e que as medidas que foram implementadas reduzem os contactos efetivos em cerca de 30%, disse, assinalando que após este período o país volta às medidas anteriores ao Natal.

“É este o cenário que nós simulamos e este modelo foi calibrado com os dados até 13 de dezembro”, explicou.

As projeções apontam ainda que o risco de hospitalização é menor na Ómicron cerca de 0,4 vezes em relação à Delta, disse Baltazar Nunes, explicando que para os diferentes cenários de perda de proteção da vacina, há diferentes níveis de incidência.

Portugal ainda está “numa tendência crescente”, mas a expectativa é que as medidas implementadas reduzam em cerca 30% os contactos e haja uma inversão da tendência, começando a decrescer.

Mas, avisou Baltazar Nunes, ao levantar estas medidas “vai haver um ‘platô’ de casos e que mais tarde vai traduzir-se num decrescimento da incidência, aqui já pela própria evolução da epidemia”

Relativamente às hospitalizações, há também diferentes cenários de acordo com a perda de proteção da vacina que podem variar entre os 1.300 e cerca de 3.700 internamentos em enfermaria, esperado para a última semana de janeiro, primeira de fevereiro.

A nível dos cuidados intensivos, pode variar entre 180 camas a cerca de 450 camas, esperado para a primeira semana ou segunda semana de fevereiro, mas número “muito aquém" dos máximo observados em hospitalizações no final de janeiro e início de fevereiro de 2021

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