Falando na apresentação de um manifesto que propõe várias medidas para “salvar” o Serviço Nacional de Saúde (SNS), que também assinou, o antigo ministro, a propósito do período de férias de verão e da propagação do novo coronavírus, que provoca a doença COVID-19, avisou: “Preparemo-nos para o que aí vem”.

“Assinei o manifesto porque tem os pontos mais importantes do que é necessário fazer no SNS”, explicou, falando depois da “situação complicada” na região de Lisboa e Vale do Tejo, com muitos casos de novas infeções pela COVID-19.

“Das 600 ou 700 mil pessoas que não têm médico de família, 80% estão em Lisboa. Lisboa foi abandonada durante décadas. Eu também abandonei Lisboa”, disse o antigo ministro.

Questionada pela Lusa à margem da cerimónia, a ministra da Saúde, Marta Temido comentou o alerta de Correia de Campos sobre a mobilidade em tempo de férias assim: “Preocupação com esses movimentos em si não, com alguma menor consciência relativamente aos riscos em que as pessoas incorrem sim”.

A propósito dessa maior mobilidade em período de férias a ministra salientou que as pessoas são responsáveis pelos seus movimentos, decisões e comportamentos.

“Porque não há forma nenhuma de por uma força de segurança a controlar os movimentos de cada indivíduo e também não há forma nenhuma de prender as pessoas em casa, até ao final da pandemia. Nós não sabemos ainda quando é que vai terminar esta pandemia. E portanto as pessoas tem mesmo que ter atitudes, comportamentos, práticas, que sejam de uma grande cautela, de uma grande ponderação, e nem sempre se tem visto isso”, alertou a ministra.

Marta Temido relembrou ainda que o país só vai voltar “à normalidade” quando houver um tratamento ou uma vacina para a COVID-19 e que até tal acontecer as pessoas têm de se habituar a “viver com a doença e tentar evitar as situações de doença extrema e as fatalidades”.

“E temos que também manter um nível de transmissão da infeção que seja gerível pelo sistema de saúde”, acrescentou, lembrando a situação de muitos novos casos na região de Lisboa e Vale do Tejo, onde está suspensa a atividade assistencial não COVID-19, “algo que é emergente resolver”.

Portugal registou mais oito mortes causadas pela COVID-19 do que na segunda-feira e mais 229 infetados, cerca de 82% dos quais na Região de Lisboa e Vale do Tejo, segundo a Direção-Geral da Saúde (DGS).

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