O método de desinfeção, que não afeta os organismos naturalmente presentes nas águas marinhas recetoras, tem vindo a ser estudado por investigadoras do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) da Universidade de Aveiro (UA) e do Laboratório Associado para a Química Verde (LAQV).

“O tratamento fotodinâmico baseia-se na aplicação de moléculas fotoativas ativadas por luz que interagem com o oxigénio e geram espécies reativas de oxigénio com capacidade para inativar os microrganismos”, descreve uma nota da Universidade.

O método tem sido investigado na vertente clínica e mais recentemente na vertente ambiental.

Com o aparecimento da pandemia de covid-19, o vírus SARS-cov-2 foi detetado no trato intestinal e nas fezes de doentes infetados e o seu ácido ribonucleico (RNA) em águas residuais, o que levou a que a equipa da UA avaliasse a possibilidade da sua inativação fotodinâmica em águas residuais, evitando desta forma a sua transmissão ambiental.

Neste trabalho, “as investigadoras utilizaram um bacteriófago Phi6 como modelo do vírus SARS-cov-2” e, segundo é descrito, numa primeira fase foi avaliada a sobrevivência do vírus em água residual em diferentes condições de temperatura, ph e luz, verificando-se que o vírus modelo pode permanecer ativo até pelo menos 84 dias.

“A aplicação do tratamento fotodinâmico desenvolvido permite eliminar das águas o vírus modelo após 10 minutos de tratamento”, conclui a equipa de investigação.

A simulação efetuada ao que aconteceria quando as águas residuais tratadas por este processo fossem libertadas para o ambiente marinho “permitiu inferir que o tratamento aplicado não foi prejudicial para os microrganismos naturalmente presentes nas águas recetoras marinhas, que, não sendo patogénicos para o Homem, desempenham um papel benéfico para o equilíbrio da vida marinha”.

“Com estes resultados, as autoras deste estudo acreditam ter dado mais um passo na possibilidade de aplicação do tratamento fotodinâmico como um método de desinfeção eficiente e seguro de águas residuais”, refere o estudo assinado pelas investigadoras Marta Gomes, Maria Bartolomeu, Cátia Vieira, Ana Gomes, Amparo Faustino, Graça Neves e Adelaide Almeida.

Portugal registou, entre 22 e 28 de março, 70.111 casos de infeção pelo coronavírus SARS-CoV-2, 148 mortes associadas à covid-19 e um ligeiro aumento de doentes internados, indicou na sexta-feira a Direção-Geral da Saúde (DGS).

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