Os resultados deste estudo indicam também que o aumento dos anticorpos ao nível das mucosas (nariz e vias respiratórias), a principal fonte de contágio e transmissão da doença, foi “pouco expressivo”, o que levou os investigadores a recomendarem que não se aumente o intervalo entre doses além do limite definido pelo fabricante e que se mantenham os cuidados de proteção, mesmo após o processo de vacinação.

“Os ensaios clínicos desta vacina foram feitos com três semanas, mas a recomendação dos fabricantes é que o prazo possa ser maior. Apontamos para se seguir esta recomendação porque em alguns países começou a adotar-se a metodologia de vacinar toda a gente com a primeira dose e depois, quando houvesse segunda dose, logo se vacinava. Com estes resultados isso era um risco”, explicou à agência Lusa Carlos Penha Gonçalves, corresponsável pelo estudo e investigador do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC).

Questionado sobre o alargamento anunciado pelo Governo no início do mês de alargar o período entre doses de 21 para 28 dias, o investigador disse: “Em Portugal o que estamos a fazer é correto”.

De acordo com o estudo, dos 1.245 profissionais de saúde acompanhados desde a primeira toma da vacina, 99.8% desenvolveram anticorpos “de forma expressiva” ao final de três semanas depois da toma da segunda dose.

Em comunicado conjunto, o Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC) e o Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental (CHLO) – que integra os hospitais S. Francisco Xavier, Egas Moniz e Santa Cruz – lembram que, embora as vacinas de mRNA tenham sido aprovadas e sejam seguras, à medida que são introduzidas em todo o mundo e administradas a milhões de pessoas “existe uma necessidade premente de avaliar a sua eficácia nos diferentes níveis populacionais”, o que exige meses de estudos epidemiológicos.

O IGC e o CHLO têm vindo a colaborar em projetos de vigilância do vírus SARS-CoV-2 em profissionais de saúde e os primeiros resultados do estudo de eficácia, três semanas após a primeira administração da vacina da Pfizer/BioNTech, apresentados em fevereiro, apontavam para cerca de 90% dos profissionais envolvidos a desenvolver uma resposta imunitária.

Três semanas após a administração da segunda dose da vacina, os valores subiram para mais de 99%, “garantindo uma forte resposta imune, que está na base da proteção à doença”, sublinham as instituições.

Em declarações à Lusa, o investigador Carlos Penha Gonçalves sublinhou ainda a importância de manter as medidas de proteção mesmo após o processo de vacinação, explicando: “Os anticorpos têm de estar a níveis muito altos nas mucosas respiratórias para poder prevenir a infeção. Sabemos que o que a vacina faz é prevenir a doença, mas para termos a certeza de que as pessoas continuam protegidas da infeção, ou seja, não são infetadas pelo vírus, é importante manter”.

“As medidas dão uma garantia acrescida de que a pessoa não é portadora do vírus e não o transmite”, acrescentou.

Segundo uma nota conjunta do IGC e do CHLO, neste estudo de seis semanas de acompanhamento os investigadores verificaram, por exemplo, que “a idade tem efeito na resposta à vacina e, nomeadamente, que homens com idades compreendidas entre os 60 e os 70 anos tiveram respostas imunológicas mais baixas, principalmente após a toma da primeira dose da vacina”.

“Os resultados mostraram que, após a primeira dose, a resposta imune é muito heterogénea na população e que a segunda dose é necessária para maximizar a proteção conferida pela vacina” afirma Jocelyne Demengeot, imunologista, co-responsável pelo estudo e investigadora do Instituto Gulbenkian de Ciência, citada no comunicado.

“Além de confirmar que, numa população globalmente saudável, a vacina mRNA origina uma forte reposta imune, a sua quantificação nos profissionais de saúde permite-lhes enfrentar com maior confiança os desafios do dia a dia e contribui para reforçar em cada um deles a consciência da importância da vacinação”, considera João Faro Viana, médico responsável pelo projeto no CHLO.

O estudo, que continua a decorrer, vai acompanhar o grupo de profissionais de saúde por um período de um ano para tentar perceber por quanto tempo os anticorpos se mantêm e, se algum dos profissionais que participam no estudo contrai a doença, e qual a resposta que o organismo vai desencadear.

O IGC pretende ainda alargar esta investigação através da monitorização de outras faixas etárias da população e a diferentes vacinas, quando disponíveis a nível nacional, em parceria com outros hospitais e autarquias.

O conjunto de dados recolhidos serão partilhados com o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge.

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