"Preocupa-me muito a situação do Brasil porque não acho que o governo brasileiro esteja a enfrentar o problema com a seriedade que o caso requer. Digo isso, sinceramente", apontou Alberto Fernández, em entrevista com o canal de notícias C5N.

O presidente argentino mostrou-se particularmente preocupado com a fronteira entre os dois países que, mesmo fechada à entrada de estrangeiros e até mesmo de argentinos, é atravessada incessantemente por veículos de transporte de carga.

"Tive uma conversa com todos os governadores por videoconferência. O governador de Misiones (província argentina na fronteira com os estados brasileiros de Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) expôs com toda clareza a sua preocupação porque as províncias de Misiones e Corrientes (fronteira com o Rio Grande do Sul) são caminho de entrada de muitos camiões de carga que vêm de São Paulo, onde o foco de infecção é altíssimo", revelou o chefe de Estado.

Alberto Fernández disse que "gosta muito do povo brasileiro", mas que está preocupado porque "o vírus pode vir para a Argentina".

Enquanto a Argentina, com 45 milhões de habitantes, tem 3.892 contagiados e 192 mortes, o Brasil, com 220 milhões de habitantes, tem 61.888 contagiados e 4.205 mortes.

O presidente argentino tem usado o mal desempenho do Brasil para valorizar o bom resultado da quarentena na Argentina.

No dia 10 de abril, pro exemplo, ao anunciar a extensão da quarentena pela segunda vez, Alberto Fernández usou a rede nacional de rádio e TV para comparar a Argentina com o Brasil.

Na sua apresentação, disse que a Argentina tinha 1.975 contagiados enquanto o Brasil 19.638. A Argentina tinha 82 mortes enquanto o Brasil 1.056.

"E o Brasil tem cinco vezes a nossa população", diferenciou Fernández quem também comparou a porcentagem de contagiados e de mortos a cada 100 mil habitantes.

"A taxa de incidência da doença a cada 100 mil habitantes no Brasil é de 8,4. Na Argentina, 4,19", sinalizava num quadro em que a taxa de letalidade do Brasil aparecia com 5,27% e a da Argentina 4,2% a cada 100 mil habitantes. Atualmente, a taxa é de 4,9% no caso argentino e de 6,8% no caso brasileiro.

No Brasil, o Governo Federal deixou para os governadores dos estados a decisão sobre o isolamento social. O presidente Jair Bolsonaro é contra o isolamento enquanto os governadores dos principais estados, como Rio de Janeiro e São Paulo, recomendam o isolamento. A taxa de cumprimento não supera 50% tanto no Rio de Janeiro quanto em São Paulo, quando o ideal indicado pelas autoridades brasileiras é de, pelo menos, 70%.

Na Argentina, o isolamento é uma obrigação, a não ser para cerca de 50 atividades com funções excecionais. Fora esses grupos, aqueles que são pegos sem autorização são detidos e respondem a processo penal. O acatamento na Argentina foi de 95% entre 20 de março e 10 de abril e de 75% desde então porque o governo ampliou a lista de atividades excecionais.

No sábado, o presidente argentino anunciou a quarta fase do regime de isolamento social, obrigatório e preventivo que começa hoje. Enquanto os grandes centros urbanos vão manter o isolamento de forma estrita, as cidades com menos de 500 mil habitantes terão uma flexibilização.

Os municípios onde não houve registo de casos nos últimos dias poderão permitir que, por apenas uma hora diária, as pessoas possam sair de casa para atividades recreativas, mas não desportivas, num raio de 500 metros do seu domicílio.

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