“Que não haja ilusões, a terceira vaga (de infeções covid-19) em África não está de modo algum terminada”, advertiu Matshidiso Moeti, durante uma conferência de imprensa virtual, mostrando-se cautelosa em relação à diminuição das infeções na última semana, porque se deve essencialmente a uma queda nos casos num só país, a África do Sul.

“Este pequeno passo em frente oferece esperança e inspiração, mas não deve mascarar o grande quadro para África. Muitos países ainda correm um risco máximo e a terceira vaga de África cresceu mais depressa e mais alto do que nunca”, disse.

Apesar deste fator, e embora o continente ainda esteja “atrasado” em termos de vacinação, Moeti saudou a previsão de que a chegada das doses de vacinas, que tinham caído abruptamente, irá acelerar nas próximas semanas.

A este respeito, a OMS instou os países africanos a prepararem-se para aumentar o ritmo da imunização e a terem pelo menos 10% da população mais vulnerável vacinada até setembro.

Moeti disse que, para atingir este objetivo, a taxa de implementação teria de aumentar dos atuais 3,5 a 4 milhões de doses por semana para, pelo menos, 21 milhões.

De acordo com os últimos dados fornecidos pelo Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças (Africa CDC) da União Africana (UA), o continente tem agora mais de 6,3 milhões de casos de covid-19, ou seja, cerca de 3,3% do total global de infeções.

O número de infeções, no entanto, diminuiu 3,3% na última semana.

A área mais afetada continua a ser a África Austral, onde esta terceira vaga foi particularmente complicada pela propagação da variante Delta, que surgiu na Índia.

Em termos de vacinação, de um total de 82,7 milhões de doses recebidas de 51 países, 61,3 milhões (73,69%) já foram administradas.

“As nossas doses não vão ser desperdiçadas”, salientou hoje o diretor do CDC África, John Nkengasong, numa outra conferência de imprensa virtual.

O número de pessoas com o calendário de vacinação completo, no entanto, continua a ser muito baixo (1,3%) e ainda há três estados africanos que, segundo Nkengasong, não começaram a vacinar: Tanzânia, Eritreia e Burundi.

O CDC de África estava também otimista quanto ao aumento do fornecimento de vacinas a curto prazo e saudou o recente apoio do Governo dos Estados Unidos (que doará 25 milhões de doses ao continente) e de outros atores internacionais, como a Unicef.

Também foi bem-vindo o acordo anunciado esta semana para que a empresa biofarmacêutica sul-africana Biovac se encarregasse das fases finais de produção da vacina antiviral da Pfizer para o continente.

A iniciativa da Pfizer junta-se às da Johnson & Johnson e da Sinovac (China), que já são parcialmente produzidas na África do Sul e no Egito, respetivamente.

O fabrico de vacinas no continente será, de facto, a chave para derrotar a pandemia, uma vez que a África tem sido até agora duramente atingida por cortes nos fornecimentos dos países produtores, segundo disse na mesma conferência de imprensa o enviado especial da UA para a covid-19, o milionário e filantropo do Zimbabué Strive Masiyiwa.

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