11 de março de 2014 - 14h51
Todas as colonoscopias no Serviço Nacional de Saúde passam a poder ser feitas com recurso a sedação a partir de 1 de abril, uma forma de reduzir o receio com a realização deste exame, segundo um despacho hoje publicado. Associação de Luta Contra o Cancro do Intestino diz-se satisfeita com novidade e refere que sedação vai aumentar adesão.
“A 1 de abril de 2014 entra em vigor um novo pacote de cuidados ao abrigo da convenção para a endoscopia gastrenterológica, que garante a colonoscopia associada à analgesia do doente, reduzindo o efeito dissuasor à realização do exame. Este novo pacote de cuidados inclui a realização da colonoscopia e todos os seus procedimentos adequados [como a sedação], representando um elevado esforço financeiro do Ministério do Ministério da Saúde”, refere o diploma.
Segundo o despacho publicado hoje em Diário da República, as administrações regionais de saúde (ARS) têm até ao final deste mês para contratualizar com os hospitais o aumento do número de colonoscopias realizadas após prescrição do médico de família.
O despacho assinado pelo secretário de Estado da Saúde assume que o número atual de prestadores convencionados do Serviço Nacional de Saúde (SNS) para colonoscopias é insuficiente para “permitir um alargamento desejado da deteção precoce do cancro colo-retal”.
Até estar concluído o procedimento de contratação de convenções, o Ministério da Saúde considera necessário “garantir um adequado acesso a este tipo de exames”.

Aumento de exames
Assim, o despacho determina que as ARS contratualizem com os hospitais do SNS o aumento do número de colonoscopias até ao dia 31 de março.
Até à mesma data, a Direção-Geral da Saúde deve publicar as normas de orientação clínica para o rastreio do cancro colo-retal e para a realização das colonoscopias.

O despacho determina ainda que os hospitais publiquem nos seus sites da Internet informação sobre as colonoscopias realizadas e respetivos tempos de espera.
No diploma, recorda-se que é recomendável que todos os utentes entre os 50 e os 74 anos façam uma pesquisa de sangue oculto nas fezes de dois em dois anos.
“Se este exame for positivo, o médico assistente deve realizar uma avaliação completa, designadamente através de exames endoscópicos (endoscopia digestiva alta ou colonoscopia)”, refere.
O diploma assinado pelo secretário de Estado Manuel Teixeira avisa ainda que, antes de um doente ser referenciado para um hospital, é desejável que o médico faça uma avaliação clínica, “evitando a sobre referenciação hospitalar e consequente aumento dos tempos e doentes em espera para consulta de gastrenterologia e exames de diagnóstico”. 
Sedação vai aumentar adesão
A Associação de Luta Contra o Cancro do Intestino (Europacolon) hoje a introdução de sedação gratuita para o utente nas colonoscopias realizadas nos hospitais, considerando que é um fator importante para aumentar a adesão a estes exames.
“A sedação gratuita motivará muitas pessoas a aproximarem-se do rastreio. Porque há muitas pessoas que reagiam mal à necessidade de realizar o exame, com medo do aspeto invasivo”, comentou à agência Lusa o presidente da Europacolon.
Segundo Vítor Neves, até agora as colonoscopias realizadas nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde podiam ter recurso a analgesia, mas era o utente que pagava a opção da sedação.
A Associação de Luta Contra o Cancro do Intestino mostrou-se ainda satisfeita com o facto de o Governo ter dado um prazo, 31 de março, para que as administrações regionais de saúde (ARS) contratualizem com os hospitais o aumento do número de colonoscopias realizadas após prescrição do médico de família.
SAPO com Lusa

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