"Durante muitos anos o cancro era estudado olhando apenas para as características genéticas das células tumorais e para o seu comportamento, em função do qual se desenvolviam terapias específicas para essas células alteradas", disse à Lusa Maria José Oliveira, coordenadora do projeto.

Verificou-se, nas últimas décadas, que para se ter "uma visão mais complexa e integradora do problema", é necessário considerar não só as células tumorais mas também as que estão na sua vizinhança, no que se designa o microambiente tumoral.

Dentro deste microambiente encontram-se os macrófagos, células de defesa responsáveis pela limpeza e deteção de agentes estranhos no organismo, que sofrem alterações potenciadas pela célula tumoral, transformando-se de macrófagos pró-inflamatórios (ativos) em anti-inflamatórios (mais passivos).

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Estes últimos são "muito eficientes a estimular a invasão das células tumorais, a formação de novos vasos e a degradação da matriz e do tecido onde se encontram", explicou a investigadora.

Na maior parte dos casos, "o sistema imune defende o organismo de agressões, seja uma ferida, uma infeção ou na formação de um tumor", existindo, no entanto, situações em que as células tumorais "escapam ao sistema de defesa e continuam a crescer, a proliferar e a coabitar no nosso corpo".

Por que é que o sistema imunitário deixa de reconhecer as células estranhas?

O objetivo desta investigação é então perceber o que leva o sistema de defesa, neste caso os macrófagos, em determinada altura, a deixar de reconhecer as células estranhas, a coabitar com as mesmas e a parar de desenvolver mecanismos de proteção.

Até à data, os resultados foram obtidos através de testes ‘in vitro' realizados com amostras humanas, provenientes de sangue de dadores saudáveis mas também de material cirúrgico de doentes com cancro colorretal, coletados no Hospital São João, no Porto.

Iniciada em 2009, a investigação entrou agora noutra fase, na qual a equipa pretende adaptar a terapia desenvolvida para a aplicação em ratos portadores de cancro intestinal que se pode alastrar para o fígado, modelo que se assemelha à progressão da doença no homem.

Essa adaptação é necessária visto que nos animais há a corrente sanguínea, um sistema de defesa, alterações de oxigénio e de acidez dos próprios tecidos, "situações que têm que ser ultrapassadas para que a terapia consiga resistir", referiu Maria José Oliveira.

Durante a primeira fase da investigação, verificou-se ainda que existem outros sistemas de terapia - como a radioterapia -, que atuam sobre as células tumorais mas também sobre os macrófagos, tornando-os mais eficientes no reconhecimento das células cancerígenas.

Para a investigação foi criada uma equipa multidisciplinar, com elementos das áreas da biologia, da clínica e da engenharia, pertencentes ao INEB, ao IPATIMUP, ao IBMC, ao Hospital São João, ao Instituto Clínico Humanitas, em Milão, Itália, à Universidade de Ghent, na Bélgica, e à Universidade de Dundee, na Escócia.

Foi financiada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), pela Fundação L'Óreal, pela Unesco e pelas organizações EMBO, ESTRO e UICC.

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