Estes resultados abrem caminho para a possibilidade de desenvolver tratamentos mais eficazes para a obesidade e para a diabetes associada ao aumento de peso em pessoas, segundo os autores.

A gordura má, designada por gordura branca, é responsável pelo armazenamento de calorias e aloja-se na barriga, anca e coxas, enquanto a gordura castanha, ou gordura boa, encontrada na zona do pescoço e ombros, ajuda a queimar calorias através de um processo que gera calor.

No estudo, cujos resultados foram publicados hoje na revista Cell Reports, a equipa liderada por Irfan J. Lodhi bloqueou a atividade de uma proteína presente na gordura branca, transformando-a em “gordura bege”. Esta alteração causou um aquecimento das células que acelerou a queima de calorias.

Lodhi explica que a gordura castanha dos ratos tem níveis reduzidos de uma proteína chamada 'PexRAP' e, quando os animais são colocados num ambiente frio, esses níveis diminuem também na gordura branca, aproximando o seu comportamento ao da gordura boa. “O frio induz a gordura castanha e bege a queimar energia armazenada e produzir calor”, clarifica o investigador.

Mais gastadores de calorias e mais magros

Nas mesmas experimentações, a equipa descobriu que os ratos modificados tinham mais gordura bege, queimavam mais calorias e eram mais magros em comparação com os outros, mesmo quando comiam a mesma quantidade de comida.

Este tipo de gordura foi descoberto em humanos adultos em 2015 e, apesar de constituir uma espécie de nível intermédio, o seu funcionamento assemelha-se mais ao funcionamento da gordura castanha, constituindo, na opinião de Lodhi, uma potencial forma de combater a obesidade.

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“A nossa investigação sugere que ao atacar uma proteína na gordura branca, conseguimos converter gordura má num tipo de gordura que combate a obesidade”, explica o investigador, acrescentado que se o mesmo puder ser feito de forma segura em humanos, será mais fácil perder peso.

Nos Estados Unidos, mais de dois terços dos adultos têm excesso de peso ou são obesos, e cerca de 30 milhões de pessoas têm diabete, números que poderão diminuir, segundo os autores, com a descoberta de terapias que tenham o mesmo efeito de conversão.

“O desafio será encontrar formas seguras de fazer isso sem causar sobreaquecimento ou febres nas pessoas, mas os farmacêuticos têm agora um bom alvo”, conclui Lodhi.

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