A saúde mental foi selecionada como uma das áreas prioritárias para intervir nesta região no âmbito de um plano que está a ser elaborado com diferentes parceiros da comunidade que se reuniram no primeiro de vários plenários.

As autoridades locais ainda não têm estudos científicos sobre as causas de o distrito de Bragança ter, a nível nacional, o maior número de casos de suicídio (concretamente uma média anual de 20), mas acreditam que o isolamento e o envelhecimento da população não são alheios a esta realidade que atinge maioritariamente os mais velhos.

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O presidente do Conselho de Administração da ULS Nordeste, Carlos Vaz, afirmou que esta é uma área onde é necessário “intervir mais”, porque a região tem “um índice de suicídios superior à média nacional e à média da própria região” Norte.

Isolamento e envelhecimento

A coordenadora da Unidade de Saúde Pública da ULS Nordeste, Inácia Rosa, ressalvou que “não há um estudo, mas se calhar tem a ver com o isolamento das pessoas, com o envelhecimento da população”.

“A nossa população é muito mais envelhecida do que o resto da região Norte e do país e o isolamento também é muito”, vincou.

Esta é uma realidade que, considerou a médica, está a contribuir para que Bragança tenha ultrapassado outras regiões com esta problemática, nomeadamente o Alentejo, apresentando uma média de “15 casos anuais por 100 mil habitantes, acima da região Norte e da média nacional”.

O distrito de Bragança, o território servido pela ULS do Nordeste, tem pouco mais de 126 mil habitantes e os casos de suicídio ocorrem maioritariamente na faixa mais idosa da população, de acordo com a coordenadora.

Embora outras problemáticas como o alcoolismo também possam estar associadas, a médica baseia a preocupação com o isolamento num programa que a ULS do Nordeste já teve para analisar os casos de saúde mental.

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“Nós fazemos muitos internamentos compulsivos de pessoas e algumas são reincidentes. De três em três meses lá vão eles (polícias) para fazer um mandado de condução e para acompanhar essas pessoas”, concretizou.

Inácia Rosa está convencida de que “o isolamento tem muito a ver com isso, porque as pessoas vêm para a psiquiatria, vão para as suas habitações e não têm retaguarda, não têm ninguém que os apoie e caem no mesmo. É uma questão “muito preocupante” na região a que não é alheia, na opinião da médica, a parte económica também.

Os responsáveis da ULS do Nordeste querem intervir mais nesta área, em parceria com outros agentes locais no âmbito do Plano para a Saúde Local que está a ser preparado.

Garantem ainda que “a Saúde Mental já não é o parente pobre da Saúde” e que os serviços têm respostas nesta região.