"É difícil falar sobre isto porque tantas pessoas sofreram uma perda tão grave e tremenda. Mas, sim, [o stress pós-traumático] é uma coisa real. Eu sei que aquelas famílias, os meus fãs e todos também passaram por isso", recorda a cantora de 24 anos. "O tempo é a coisa mais importante. Sinto que nem deveria estar a falar da minha própria experiência. Não sei se alguma vez vou conseguir falar sobre isto e não chorar", desabafa na entrevista exclusiva à edição de julho da Vogue britânica.

Que doença é esta? A Perturbação de Stress Pós-Traumático (PTSD ) caracteriza-se por pensamentos intrusivos, pesadelos ou flashbacks de um evento traumático passado. É caracterizada ainda pelo evitamento de estímulos que despoletem memórias associadas ao evento traumático, assim como por um estado de hipervigilância e alterações do sono. No conjunto, esta perturbação causa sofrimento considerável e disfunção social, profissional e interpessoal.

A associação entre alterações psicológicas e eventos traumáticos é reconhecida há mais de 200 anos, desde a guerra civil americana, e foi inclusivamente referenciada pelos primeiros escritores psicanalíticos.

No entanto a PTSD propriamente dita só foi reconhecida na literatura médica em 1980 no Manual Americano de Diagnóstico e Estatística de Doenças Mentais, "Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders" (DSM). Posteriormente, na DSM-IV-TR (1994), especifica-se que muitas pessoas desenvolvem alterações psicopatológicas imediatamente após o trauma, com risco de PTSD.

Em termos epidemiológicos, após exposição recente a um evento adverso, é frequente o desenvolvimento de uma entidade relacionada — Perturbação do Stress Agudo (PSA). A evolução de PSA para PTSD varia dependendo da população e da comunidade. A prevalência vital é estimada em 8% da população, podendo a percentagem ser superior considerando as formas de apresentação subclínicas.

As várias causas

Há poucos dados relativamente às causas fisiopatológicas, sendo que os estudos que existem em famílias demonstram que em familiares de veteranos da I e II Guerra Mundial têm maior incidência, existe maior risco em descendentes e em famílias com predisposição para perturbação da ansiedade e perturbação depressiva. Por outro lado verifica-se uma reduzida associação a causas genéticas, com valores de hereditariedade referidos na literatura de 0,21 a 0,37%.

Entre as situações que podem despoletar PTSD/PSA encontram-se: testemunhar ou vivenciar situações de morte, ameaça ou risco de vida ou para a integridade física (incluindo acidentes, desastres naturais, crime violento, doença grave, internamento em cuidados intensivos, combate militar, abusos/maus tractos físicos e sexuais, assalto ou violação).

A resposta emocional ao estímulo tem que envolver medo intenso, choque ou horror. Quanto maior a proximidade temporal, física, emocional, simbólica e intensidade do trauma, maior a probabilidade de sintomatologia. Muitas pessoas com PTSD tiveram previamente sintomas de PAS. Para estabelecer o diagnóstico de PTSD os sintomas têm de ter a duração de pelo menos um mês.

Pode saber mais mais sobre Stress pós-traumático neste artigo dos médicos Margarida Albuquerque, Miguel Costa e Pedro Cintra, psiquiatras do Departamento de Saúde Mental do Hospital de Cascais.

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