A amostra do inquérito do OPCP - Instituto de Ciências da Saúde (ICS) da Universidade Católica foi constituída por 376 doentes que receberam cuidados paliativos, com uma média de idade de 73 anos para um intervalo entre 28 e 95 anos. A grande maioria tinha cuidador.

Entre os 259 doentes cuja preferência foi reportada, 68,7% (178) preferiram morrer em casa (própria ou de um familiar ou amigo), 16,6% (43) numa Unidade de Cuidados Paliativos (UCP), 3,1% (8) num hospital ou unidade que não fosse UCP e 1.1% (3) num lar ou residência. Cerca de 10% (27) referiu que não sabia ou preferia não responder.

Dos 188 doentes com local de morte identificado, 54,3% (102) morreu numa UCP, 22,9% (43) num hospital ou unidade que não fosse UCP, 22,3% (42) em casa e 0,5% (1) num lar ou residência

Analisando dados de 107 doentes cujo local de morte desejado e local de ocorrência da morte eram conhecidos, o estudo concluiu que 26,3% (15) dos que preferiram morrer em casa própria, 54.5% (6) dos que preferiam morrer em casa de um familiar ou amigo, 97.1% (34) dos que desejavam morrer numa UCP e 100% (1) dos que desejavam morrer num lar ou residência conseguiram concretizar a sua preferência.

Tendo em conta o objetivo, os investigadores concluíram que, “apesar do local de morte preferido ter sido maioritariamente o domicílio, o local de ocorrência da morte foi mais frequentemente uma instituição (principalmente a UCP)”.

Desta forma, a concordância obtida foi apenas ligeiramente acima dos 50%. “A preferência pela UCP como local de morte atuou como fator facilitador da congruência, enquanto a preferência pelo domicílio atuou em sentido contrário”, salientam.

Em Portugal, a predominância da morte em ambiente hospitalar veio a afirmar-se de forma gradual e constante no decurso dos últimos decénios.

Em 1984, 60% dos óbitos aconteceram em casa, percentagem que caiu para 20,9% em 2008, verificando-se assim “uma inversão de proporções entre a morte caseira e a morte hospitalar”.

Em Portugal, apurou-se que morrer no local que se deseja é considerado a primeira ou a segunda prioridade em 59% das pessoas, comparando com o acesso à informação clínica e com a escolha de quem toma as decisões sobre os cuidados no final da vida, refere o observatório.

O hospital tem sido o local de morte apontado como mais frequente na maioria dos estudos.

O estudo recomenda a sensibilização das equipas de cuidados paliativos para o tema do local de morte, avaliando de forma sistemática as preferências dos doentes e familiares, e “aumentar e melhorar recursos para acompanhamento dos doentes que desejam morrer no domicílio, de forma a que esta preferência não atue de forma negativa na congruência”.

Recomenda ainda a realização de outros estudos mais alargados de forma a comprovar ou não a distribuição das preferências dos doentes em Portugal, e um maior investimento no desenvolvimento de planos que atendam aos requisitos do envelhecimento da população, que garantam “melhores cuidados aos doentes em fim de vida e aos seus familiares, independentemente do local preferido para morrer e do diagnóstico”.

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