Em 1545, no fim do império asteca, muitas pessoas começaram a apresentar febre alta, dores de cabeça e hemorragias nos olhos, boca e nariz. Em geral, morriam em três ou quatro dias.

Em apenas uma semana, a epidemia conhecida como "cocoliztli" (peste) matou 80% da população. As causas, investigadas desde então, foram agora descobertas por um grupo de cientistas num estudo publicado na revista científica Nature Ecology & Evolution.

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Após descartarem a varíola, sarampo e gripe, os investigadores apontaram como causa uma "febre entérica" do género tifóide a partir de análises de ADN dos dentes de várias vítimas.

"O cocoliztli foi uma das muitas epidemias que afetaram o México após a chegada dos europeus, mas foi especificamente a segunda das três epidemias mais devastadoras", disse à agência de notícias France Presse Ashild Vagene, da Universidade de Tubinga, na Alemanha.

"A causa desta epidemia tem sido debatida há mais de um século pelos historiadores e agora somos capazes de fornecer evidências diretas através do uso de ADN", acrescentou.

A cocoliztli é considerada uma das piores epidemias da história da humanidade, atrás da peste negra, que matou 25 milhões de pessoas na Europa ocidental no século XIV, ou seja, quase metade da população da região.

Os colonos europeus propagaram doenças ao entrar no "Novo Mundo", disseminando germes completamente desconhecidos para as populações locais que não continham qualquer tipo de imunidade capaz de os combater.

A "peste" que atingiu o atual México e parte da Guatemala em 1545 deu-se apenas duas décadas depois de uma epidemia de varíola matar entre cinco a oito milhões de pessoas, logo após a chegada dos espanhóis. Um segundo surto de "cocoliztli", entre 1576 e 1578, matou metade do resto da população.

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Os cientistas analisaram o ADN extraído de 29 esqueletos enterrados num cemitério para vítimas de "cocoliztli" e detetaram vestígios da bactéria salmonella enterica, da variedade Paratyphi C, conhecida por causar febre entérica como a tifóide.

Algumas estirpes de salmonela espalham-se através da presença da bactéria em alimentos ou água e podem ter viajado para o México em animais domesticados comercializados pelos espanhóis, conclui a equipa de investigadores.

A salmonella enterica esteve largamente presente em todo o território da Europa na Idade Média. "Testámos para todas as bactérias patogéneas e vírus" e a salmonella enterica foi o único germe detetado, afirmou Alexander Herbig, também da Universidade de Tubinga.

No entanto, é possível que alguns agentes patogéneos sejam indetetáveis ou completamente desconhecidos. Por isso, "não podemos dizer com 100% de certeza que a salmonella enterica tenha sido a causa da epidemia de cocoliztli", comentou ainda Kirsten Bos, um dos investigadores alemães. No entanto, será essa a explicação "mais provável", lê-se no estudo.

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