O Ayurveda olha para a boa digestão como um dos pilares da saúde perfeita. A digestão inadequada é um factor causador de doenças. Assim, a medicina ayurvédica diz-nos que nada é mais importante para a saúde holística do que a qualidade da digestão.

O mais importante é que para que uma alimentação equilibrada tenha o efeito devido, a digestão seja suficientemente forte e equilibrada para podermos assimilar adequadamente os nutrientes contidos na alimentação. Se cada célula do corpo foi criada a partir de alimentos ingeridos, significa que se a comida for bem utilizada, as células serão bem construídas.

Os sábios do Ayurveda diziam que até o veneno poderia ser bom se pudéssemos digeri-lo adequadamente ao contrário de uma digestão inadequada, poder prejudicar demasiado a saúde, mesmo que a pessoa bebesse néctar.

O processo digestivo é descrito pelo Ayurveda, como um processo de aquecimento. Este acontece através da presença de “agni”, ou seja, “fogo digestivo”.

Quando este fogo interno é bem alimentado e mantido aceso a uma intensidade adequada, todos os sistemas do corpo se desenvolvem. O sistema gástrico e intestinal digere a comida com eficiência e distribui os nutrientes necessários a cada célula, ao mesmo tempo que consome os produtos residuais sem deixar toxinas, resultando numa harmonia do corpo. Contudo, tratar mal esta chama digestiva terá um preço elevado. Ou seja, resultará em manifestações como mau hálito, mau cheiro do corpo em geral, podendo derivar num sistema imunitário frágil e vulnerável a infecções.

As variações do agni- fogo digestivo, ou seja, quando este está demasiado baixo, demasiado alto, muito variável ou em equilíbrio, estão relacionadas com o estado dos nossos doshas, isto é, os biotipos que, de acordo com o Ayurveda, constituem o ser humano.

As pessoas , cujo dosha predominante é o pitta, tendo este na sua base os elementos naturais, fogo e água, tendem a ter um apetite excessivo, em consequência de um fogo digestivo muito elevado. Kapha, o dosha de água e terra, pode ter um agni tão baixo, que poderá derivar em níveis de energia baixos assim como alguma tendência para engordar mesmo quando as pessoas com predominância deste biotipo, não comem muito. Os indivíduos do tipo vata, cujos elementos da natureza são ar e éter (espaço circundante), sendo à partida pessoas mais agitadas, têm probabilidade de ter uma fome extrema ou uma grande falta de apetite.

De um modo geral, o agni pode ser aumentado através de exercícios , por exemplo, como uma prática específica de yoga, com base em determinados ásanas ou reduzido com longos períodos de sono.

Quando temos fome e, por vezes sentimos ardor no estômago, deve-se ao facto do agni estar a queimar mais intensamente. Este ardor deve ser entendido como um sinal de que o corpo está pronto a aceitar e processar comida. Se dermos resposta a este sinal e comermos nesse momento, aumentamos a probabilidade de uma melhor digestão. Vários problemas fisiológicos estão relacionados com o facto de ingerirmos alimentos quando o fogo digestivo não está a pedir para ser alimentado, resultando daqui, não a produção de energia mas uma transformação da comida em gordura e toxinas.

Quando todos os sistemas do corpo estão a funcionar de uma forma normal e saudável, o aparelho digestivo produz uma substância, que nos Ayurveda se chama Ojas. O Ojas é produzido pelo corpo sob a forma de energia, gerando-se uma sensação de leveza global, uma ótima energia, um apetite forte e uma digestão agradável e equilibrada, assim como uma eliminação regular, uma forte imunidade e capacidade de resistência.

Aumentando a presença de ojas no corpo, podemos restabelecer a manifestação física da força e da saúde.

Texto: Brahmi Wellness

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