A orelha de um músico, o nariz de um perfumista, os olhos de um aviador, e o gosto de um cozinheiro têm uma qualidade excecional, por vezes treinados para atingirem a perfeição. Em contrapartida, serão poucos ou mesmo nenhuns os que exercitam especialmente a mão. Digiqido é uma técnica que trabalha o potencial da mão.

Considerando todas as possibilidades do ser humano, é facilmente verificável que um animal é um ser superior a nós no que respeita a algumas funcionalidades fisiológicas. É também fácil de constatar a multiplicidade da tecnologia superior ao ser humano em todas as nossas funções.

O computador, as máquinas, o telescópio, entre outros, afastam incessantemente as possibilidades e os limites intrínsecos do ser humano. Em compensação, um órgão que não se encontra em nenhuma espécie animal e que nunca foi suplantado por nenhuma máquina, em todas as funções simultâneas, é a mão.

Estranhamente, enquanto que para todas as outras funções do ser humano foram desenvolvidos treinos específicos, a mão é órfã de uma educação exclusiva. No entanto, se se imaginar um instante que seja privado de qualquer função do ser humano, que provocaria, infalivelmente, um incómodo dos mais consequentes, só a mão o colocaria instantaneamente num estado de dependência absoluta.

É a nossa segurança que é posta em causa, por não poder prover as nossas necessidades vitais. Um exemplo muito simples: sem a mão é impossível vestir-se ou despir-se e, por conseguinte, a mão é o instrumento principal de várias profissões como é o caso da esteticista, do joalheiro ou do cirurgião, dos quais o resultado do trabalho depende sobretudo da qualidade da mão.

Mas, ainda que a profissão não seja especificamente manual, a qualidade das nossas mãos influencia amplamente a nossa atividade diária, qualquer que seja a nossa profissão, e sobretudo o nosso relacionamento com os outros. Ser hábil com as mãos, ou não, altera a nossa maneira de conduzir, de descascar legumes ou de nos arranjarmos.

Altera também a maneira de tocarmos o nosso cônjuge, os nossos filhos, os nossos animais de estimação, até mesmo o apertar a mão a alguém. Como todos os órgãos, é evidente que, ao fim de um tempo, a mão adquira cada vez mais qualidades, ainda que não seja especificamente educada, como as pernas por exemplo, que fazem com que dancemos melhor após uma longa aprendizagem.

No entanto, um bailarino se quer ter um nível elevado não pode satisfazer-se apenas com uma pequena aprendizagem, deve exercitar todos os dias as suas pernas, não somente para adquirir novas possibilidades, mas também para se assegurar que elas estarão em forma o maior tempo possível.

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A técnica
DiGiQiDo: A Via do Equilíbrio, o Tocar Justo. Praticar o DiGiQiDo é aumentar o nosso potencial de contacto e, pelo mesmo, conjugar as nossas possibilidades, independentemente da nossa atividade ou do nosso ambiente. Ter boas ou más mãos é como passear pelo campo com os olhos abertos ou semiabertos.

É sentir um perfume com o nariz perfeitamente desentupido ou entupido... Além disso, a prática do DiGiQiDo pede muito pouco material e pode praticar-se em qualquer circunstância e independentemente da idade, mesmo que nunca tenha sido feito antes. Com um treino de 5 a 10 minutos todos os dias, durante apenas um mês, os progressos não são apenas visíveis mas espetaculares, podendo afirmar com simplicidade que estes exercícios vão alterar a vossa vida.

Propomos assim quatro exercícios muito simples, que permitirão testar as vossas mãos e começar a prática do DiGiQiDo. Não hesitem em fazer este exercício com as pessoas de que gostam, e sobretudo com as vossas crianças, quem adorarão este tipo de exercício como um jogo.

Os exercícios

Exercício n°1
O primeiro exercício é básico dado que é mesmo a definição da mão: a oposição do polegar aos outros dedos. Coloque o polegar da mão direita sobre o indicador da mão esquerda, não solte. Coloque seguidamente o polegar da mão esquerda sobre o indicador da mão direita, não solte. Solte agora o polegar direito e coloque sobre o anelar da mão esquerda, não solte, de seguida coloque o polegar esquerdo sobre o anelar da mão direita e assim na mesma sequência até ao dedo mindinho. Pode subir e descer sem parar, é um bom exercício para aquecer e distender os dedos.

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Exercício n°2
Para este exercício utilizo uma bola de squash que se pode encontrar nas grandes lojas de desporto. São, por um lado, de bom diâmetro e, por outro lado, suficientemente aderentes para tornar o exercício mais fácil.

Este exercício não é muito simples na primeira abordagem, mas com um pouco de treino consegue-se lá chegar e é muito agradável de se fazer. Além disso, mobilizando alternativamente cada um dos dedos, de maneira independente, tem um papel muito importante sobre todo o braço e mesmo na coluna vertebral.

Aconselhado fortemente a todas as pessoas que passam longas horas em frente de um computador, que provoca tensões muito importantes, não apenas nos antebraços, mas também a nível da nuca. Durante todo o exercício é importante que a mão esteja na horizontal e paralela ao solo. O polegar nunca deve tocar a bola. Coloque a bola em primeiro lugar entre o indicador e o dedo médio, seguidamente baixe o indicador e o anelar fazendo passar a bola entre o médio e o anelar, e assim sucessivamente.

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Exercício n°3
É o meu preferido porque é simples quando se vê, mas um tanto complicado quando se tenta fazer. Levantar um fósforo que pesa apenas uma a duas gramas com dois dedos parece muito fácil.

A dificuldade consiste em deixar permanentemente o dedo do meio posto sobre a mesa e levantar o fósforo com o indicador e o anelar à altura de uma caixa de fósforos ou um pacote de cigarros.

Este exercício permite controlar o estado de tensão da mão e a independência dos dedos. É muito importante porque uma mão de qualidade é uma mão em que cada um dos dedos é independente, ou seja, cada um deles pode ter o seu movimento independente sem provocar um movimento dos outros dedos. Com um pouco de treino todas as pessoas conseguem fazer este exercício mas, à partida, cerca de 10% das pessoas que tentam chegam apenas a metade da altura.

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Exercício n°4
Exercício muito simples porque nenhuma faculdade de flexibilidade é necessária, simplesmente um controlo dos dedos.

Alinhe 6 fósforos sobre uma caixa (de lado). Retire o primeiro fósforo com as palmas de cada mão, o segundo com os polegares, seguidamente com os indicadores, os dedos do meio, os anelares e os mindinhos.

Gire as suas mãos alternadamente num sentido e no outro na horizontal e coloque os fósforos um a um sobre a caixa.

O truque é levar o seu tempo e não se sentir pressionado. Quando puder fazer este exercício facilmente as suas mãos poderão fazer gestos de precisão sem problema.

Um exercício muito simples que os leitores devem fazer como um jogo e que qualquer um pode praticar eficientemente e facilmente em menos de um mês, se dedicar apenas 5 minutos por dia. É importante trabalhar com as duas mãos, sucessivamente ou simultaneamente, de acordo com o exercício.

Texto: Guy Dumont, naturopata e professor de yoga, criador da massagem rítmica e artística
Edição: Patrícia Velez Filipe
Fotografias exercícios: Cedidas por Guy Dumont

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